Às vésperas de decisão, salário atrasado é tabu no Flamengo

'Estamos focados da final da Taça Guanabara', diz Fábio Luciano se esquivando de comentar o assunto

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 19h44

Às vésperas da decisão da Taça Guanabara, contra o Botafogo, no Maracanã, um problema veio à tona: o Flamengo deve um mês e meio de salário para os jogadores e a comissão técnica. Ninguém se estendeu muito sobre o assunto, mas é claro que o clima é de insatisfação. Afinal, quem gosta de trabalhar de graça? Um funcionário do Flamengo entrou nesta quinta-feira na sala de imprensa da Gávea e desabafou em alto tom de voz: "Ninguém fala que a gente está com três meses de salário atrasado." Para contornar a crise, a diretoria prometeu pagar a dívida na próxima semana. "Não existe nenhuma conversa entre os jogadores sobre esse assunto [salário atrasado]. Até porque o momento não é próprio. Estamos focados da final da Taça Guanabara", despistou o zagueiro Fábio Luciano, mais preocupado com a conquista do título. Em relação ao clássico decisivo, o Flamengo vai mesmo com o time de 2007, apesar de ter contratado oito atletas para a atual temporada. O único "intruso" será o atacante Marcinho, que exercerá a função de Renato Augusto, machucado. "Só existe um intocável no futebol: o presidente do clube", disse o técnico Joel Santana, reforçando a idéia de que vai mudar a escalação do time, mas só vai divulgá-la no domingo. "Não se pode dar armas para o inimigo. No Botafogo, até o Manequinho [mascote do rival de domingo] é perigoso." Nesta quinta, Joel Santana começou o coletivo com o meio-campo de 2007, com Jaílton, Cristian, Toró e Íbson. Jônatas e Kléberson treinaram entre os reservas. "A gente sabe que ainda não chegou no nível do ano passado", entregou Toró, sem meias palavras.  "O Flamengo é uma vitrine muito grande. Quem joga aqui, pode atuar em qualquer time do mundo, pode ir para a seleção e pensar em coisas maiores", completou. Toró classificou o jogo de domingo como complicadíssimo. "O Cuca [técnico do Botafogo] é muito inteligente, vem trabalhando bem e merece respeito", elogiou. Ainda com o braço inchado, por conta de um chute de Edmundo, no clássico de domingo, com o Vasco, o ‘xerife’ Fábio Luciano garantiu nesta quarta que a contusão não vai atrapalhá-lo contra o Botafogo. "Entrarei em campo sem medo nenhum", disse, com firmeza. O clima de decisão pode ser medido pelas palavras do vice-presidente de Futebol do Flamengo, Kléber Leite: "Até domingo, até se Jesus Cristo cair de pára-quedas no clube, nem Ele será assunto na Gávea." Pelo visto, a final já mexeu com a cabeça do dirigente.

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