Milton Michida/AE
Milton Michida/AE

Asprilla deve deixar cidade na Colômbia após sofrer ameaças

Ex-atacante de Palmeiras e Fluminense divulga nota denunciando invasão de pessoas ligadas a grupos ilegais a seu sítio em Tuluá

O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2014 | 09h42

Famoso no Brasil pelas passagens por Palmeiras e Fluminense, Faustino Asprilla é mais uma vítima da violência na Colômbia. Nesta terça-feira, o ex-jogador da seleção colombiana anunciou inicialmente em seu Twitter e depois por meio de comunicado oficial que deixará sua cidade-natal, Tuluá, após ser ameaçado de morte.

"Dediquei toda minha vida a representar meu país no exterior, a dar alegria ao meu povo colombiano, e quando, por fim, me disponho a descansar, a retomar meu tempo perdido com meus parentes, sou obrigado a sair pela porta dos fundos do meu próprio povo", informou o ex-atacante por meio de nota em seu site oficial.

À imprensa colombiana, o ex-atleta, que atualmente tem 45 anos, disse que sujeitos não identificados entraram em seu sítio após ameaçar seu caseiro e deixaram um número de telefone para ele. "Se não ligasse, disseram ao caseiro, eu e minha família corríamos perigo", afirmou Asprilla ao site Semana.com. O ex-atacante também revelou que o grupo já havia entrado na casa de seu pai e deixado o mesmo número telefônico.

Depois de ler as denúncias, a polícia colombiana entrou em contato com Asprilla para investigar o caso. Em depoimento, o ex-jogador disse que os homens que invadiram sua propriedade disseram aos empregados que trabalhavam para "Porrón", famoso integrante de uma organização narco-paramilitar da Colômbia.

Após se destacar por Cúcuta e Atlético Nacional no início dos anos 90, Faustino Asprilla tomou o caminho da Europa. Depois de boa passagem pelo Parma, o jogador foi para o Newcastle, sendo em seguida contratado pelo Palmeiras, em 1999, e Fluminense no ano seguinte. Conhecido por sua velocidade e temperamento forte, o atleta participou das Copas do Mundo de 1994 e 1998 pela seleção colombiana.

LEIA A NOTA DIVULGADA POR ASPRILLA

Hoje é um dos dias mais tristes da minha vida. Me machuca abandonar minha própria terra, Tuluá, por ser vítima de extorsão de um grupo de antissociais. Minha família foi ameaçada diante de mim, meu pai, minhas irmãs. Com toda a impotência e dor tomei a decisão pela segurança dos meus entes queridos de abandonar Tuluá.

Dediquei toda a minha vida a representar meu país no exterior, a dar alegria ao meu povo colombiano, e quando por fim me disponho a descansar, a retomar meu tempo perdido com meus parentes, sou obrigado a sair pela porta dos fundos do meu próprio povo. Não sou do estilo de pessoa que fica calada à injustiça.

Desejo denunciar aos meios de comunicação e ao país o ocorrido.

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