Assassinato na Espanha desperta cobranças contra os 'ultras'

Confronto com a torcida do Atlético de Madri resulta em morte de fã do La Coruña antes da rodada do Espanhol neste domingo

REUTERS

01 de dezembro de 2014 | 10h16

A morte de um torcedor do Deportivo La Coruña em confronto com torcedores radicais adversários antes de uma partida contra o Atlético de Madri, domingo, gerou cobranças por mais ações para combater torcedores violentos, localmente chamados de "ultras".

Francisco Javier Romero Taboada, de 43 anos, teve de ser retirado do gélido Rio Manzanares, perto do Estádio Vicente Calderón, do Atlético, e sofreu parada cardíaca, hipotermia e lesões na cabeça. Ele morreu apesar dos esforços para reanimá-lo.

O tumulto começou pela manhã, no que parecia ser uma batalha de rua organizada entre torcidas organizadas ligadas ao Atlético, ao Deportivo e aos clubes Rayo Vallecano e Alcorcón, ambos de Madri. A polícia nomeou os grupos como Riazor Blues (Deportivo), Frente Atlético, Bukaneros (Rayo) e Alkor Hooligans (Alcorcón).

Os 'Ultras', que tipicamente possuem visões políticas de extrema direita, há tempos têm sido uma grande parte do cenário do futebol espanhol, e os clubes de primeira divisão os tratam com diferentes graus de tolerância. Barcelona e Real Madrid estão entre os times que proibiram a entrada em seus estádios de 'Ultras' - chamados "Boixos Nois" e "Ultras Sur", respectivamente -, ao passo que a Frente Atlético ainda é tolerada dentro do Calderón.

"O futebol há tempos tem olhado para o outro lado ao enfrentar o câncer dos 'Ultras'", escreveu José Samano no jornal El País nesta segunda-feira. "A violência deles não tem suas raízes no futebol, mas foi no futebol onde encontraram refúgio e aprovação."

Como notou o jornal esportivo Marca, a tragédia de domingo não foi a primeira morte ligada a torcedores violentos do Atlético. Em 1998, um torcedor do Real Sociedad morreu após ser atacado perto do Calderón e um membro da Frente Atlético foi sentenciado a 17 anos de cadeia pelo crime. "O futebol espanhol deve expulsar esses brutos antes que seja tarde demais", escreveu o Marca em um editorial nesta segunda-feira. A comissão do governo para combater a violência na Espanha se reunirá nesta segunda-feira para discutir os trágicos eventos.

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