Suspeitos pela morte de santista se entregam e negam briga de torcidas

Com medo de palmeirenses, primos Sandro Aragão e Felipe Aragão se apresentaram ao 62º DP, que descartou briga de uniformizadas 

O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2015 | 19h59

Com medo de uma possível retaliação de torcidas organizadas do Palmeiras, Sandro da Silva Aragão, de 34 anos, e seu primo, Felipe Aragão de Souza, se entregaram no 62º DP de Ermelino Matarazzo onde passaram a madrugada explicando o motivo de levá-los a espancar e matar o taxista santista Gerson Ferreira de Lima, 34, a pauladas.

Após várias horas de interrogatório com a delegada titular do DP, Regina Célia Issi, veio a confirmação de que a confusão não teve relação entre briga de torcidas organizadas. "Esta hipótese foi completamente descartada", informou a delegada.

Sandro levou a camisa verde que vestia no dia do crime e explicou que era do Brasil e não do clube. Ele e o primo andaram sofrendo ameaças no bairro após a divulgação do vídeo do crime. Depois do depoimento, foram transferidos no início da tarde ao 77º DP, em Santa Cecília, onde ficarão presos temporariamente por 30 dias. Apesar de ser o responsável por iniciar a briga, Sandro deve responder apenas por tentativa do homicídio. Seu primo, Felipe, é quem matou Gerson e será indiciado por homicídio doloso, com pena prevista de 6 a 8 anos.

A CONFUSÃO

De acordo com o depoimento de Sandro, a briga começou num banheiro de um posto de gasolina da avenida Águia de Haia. Lá, ele e o filho de 13 anos teriam sido ofendidos verbalmente pelo motorista santista Alisson Davis Moreira, de 27 anos. Bateram boca e a confusão teria um novo capítulo horas mais tarde, num outro posto de gasolina, na esquina das avenidas São Miguel e Boturussu. Vítima, Gerson apenas tentava apartar a confusão.

Irritado, Sandro foi para casa, encontrou-se com o primo Felipe e resolveram procurar Alisson pela região. No encontro, ele desferiu socos em Alisson, enquanto Felipe acabou assassinando Gerson a pauladas.

Eles fugiram do local, e a polícia (por causa da camisa aparentemente do Palmeiras e do Santos que vestia Alisson) investigou uma suposta guerra de torcidas. A camisa verde fez Sandro ser apontado como uniformizado do Palmeiras, o que desagradou alguns torcedores de Ermelino Matarazzo e redondezas. O medo o levou à delegacia e agora, como pode ser declarado réu primário, sua pena pode ser reduzida e ele ficar preso por apenas três anos, enquanto mais um torcedor, desta vez comum, perde a vida.  

 

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