Paulo Pinto/AE - 29/3/2011
Paulo Pinto/AE - 29/3/2011

Assembleia paulista aprova o retorno das bandeiras aos estádios de São Paulo

Projeto do deputado estadual Ênio Tatto vai agora para a sanção do governador Geraldo Alckmin

Fabio Leite e Fabio Serapião , Jornal da Tarde

24 de agosto de 2011 | 19h32

SÃO PAULO - A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, em votação na noite desta quarta-feira, projeto de lei que prevê a volta das bandeiras com mastros aos estádios paulistas, mesmo com o 'voto' contrário da Polícia Militar. Agora, para entrar em vigor, a lei só precisa da aprovação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 15 dias para fazer isso.

Como forma de pressionar os parlamentares, integrantes das uniformizadas dos principais clubes da cidade, como Palmeiras, Corinthians e São Paulo, ocuparam a galeria do plenário da Assembleia desde a tarde desta quarta. Desde 1995, as torcidas de São Paulo são impedidas de utilizar bandeiras com mastros de bambu ou qualquer outro tipo de material nos estádios.

A PM foi sempre contrária à sua volta por entender que os mastros das bandeiras se transformam em 'armas' perigosas quando ocorrerem brigas entre torcedores rivais.

O autor do projeto, Ênio Tatto (PT), comemorou a aprovação. "Espero que o governador, que é santista, sanciona a lei. A lei é um crédito às torcidas organizadas, que embelezam os estádios paulistas."

Os líderes das torcidas uniformizadas também festejaram. "Não existe histórico de confronto com a utilização de mastros de bandeiras no Estado de São Paulo. Queremos devolver a festa e o espetáculo das bandeiras aos estádios", declarou Danilo Zamboni, sócio-fundador da Independente, do São Paulo.

"De forma alguma os mastros serão utilizados em alguma forma de confronto. Já temos outros instrumentos como tambores e baterias que poderiam ser utilizados em brigas e não o são", disse André Guerra, presidente da Mancha Verde, uniformizada que reuniu na Assembleia seguidores do Palmeiras.

COMO SERÁ A LEI?

Os termos para regular a volta das bandeiras foi discutido pelos parlamentares com os chefes das organizadas, integrantes do Ministério Público e da Federação Paulista de Futebol. Pelo projeto, será permitido às torcidas cadastradas portar bandeiras com mastro de bambu ou produto similar durante as partidas oficiais de futebol, em locais devidamente determinados e delimitados pela FPF.

Os portadores de bandeiras também deverão ser cadastrados e em caso de utilização incorreta dos artefatos, punidos com afastamento dos estádios pelo prazo de um a cinco anos, além do pagamento de multa.

"É preciso estabelecer a alegria que representa o tremular das bandeiras e o entusiasmo das torcidas organizadas, regulamentando o uso dos mastros de maneira responsável e não simplesmente proibindo-os", explica Ênio Tatto.

OUTRO LADO

Terça-feira, representantes da Tropa de Choque da Polícia Militar foram à Assembleia e se posicionaram contrários à liberação das bandeiras. De acordo com o deputado Fernando Capez (PSDB), autor da lei que proibiu as flâmulas nos estádios e antigo paladino no combate às organizadas, não compete ao Legislativo interferir nas questões que envolvem a segurança nas partidas de futebol.

"Somente a PM deve ter mobilidade para proibir ou liberar isso. Esses mastros podem ser usados como armas", justificou Capez.

Sobre a postura da PM, Capez afirmou que esteve com a comandante do 2.º Batalhão de Choque, coronel Carlos Savioli, responsável pela análise do projeto de lei, e que, assim como ele, o coronel se coloca contrário a qualquer mudança na atual lei.

"Como o futebol é movido pela paixão, não temos como controlar o uso dos mastros. Além da violência, eles podem ser utilizados para ocultar outros armas e drogas também", disse Capez.

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