Assis recebe resposta do governo após exclusão por Dilma em caso de racismo

Jogador do Uberlândia sofreu injúrias semelhantes a Tinga, Arouca e o árbitro Márcio Chagas

Gonçalo Junior, O Estado de São Paulo

27 de março de 2014 | 05h08

SÃO PAULO - As lamentações do lateral Francisco Assis, publicadas com exclusividade pelo Estado na edição de domingo, chegaram ao Palácio do Planalto. A única vítima recente de racismo no futebol que não foi chamada para a audiência de solidariedade com a presidente Dilma Rousseff deverá receber nesta quinta um contato da secretaria-geral da Presidência. A informação foi confirmada pela secretaria.

A intenção dos funcionários do governo é oferecer esclarecimentos para o jogador do Uberlândia sobre a audiência da qual participaram apenas o volante Tinga e o árbitro Márcio Chagas - Arouca, volante do Santos, foi convidado, mas não pôde ir. Os três foram vítimas de racismo em circunstâncias semelhantes às vividas pelo jogador da equipe de Minas Gerais.

A justificativa principal da equipe da secretaria será a falta de tempo hábil para convidar Assis. No dia 9, um domingo, ele foi chamado de "macaco, negro, safado e fedorento" em Patos de Minas, no intervalo do jogo entre Uberlândia e Mamoré, pela Segunda Divisão do Campeonato Mineiro. No dia 13, Dilma convocou uma audiência para discutir formas de combater o racismo com três representantes de cada setor da sociedade. Assis ficou fora.

"Fiquei chateado. O que aconteceu comigo foi o mesmo que aconteceu com eles. Acabei me conformando pela preocupação que ela mostrou com os outros jogadores", disse o lateral do Uberlândia.

A secretaria também afirma que quer acompanhar de perto os desdobramentos do caso, que, em termos práticos, está encerrado. O torcedor do Mamoré Marcelo Carlos Fernandes foi identificado como agressor e conduzido a uma delegacia. Foi o único episódio em que isso aconteceu. Assis, no entanto, não quer processá-lo. Os clubes também decidiram que não vão levar o assunto adiante.

Os outros casos terminaram com penas brandas. O Mogi Mirim, réu nos insultos contra Arouca, foi multado em R$ 50 mil e teve o seu estádio interditado. O peruano Real Garcilaso, cujos torcedores imitaram macacos quando Tinga entrou em campo pela Libertadores da América, recebeu pena de R$ 27 mil. O Esportivo de Bento Gonçalves, dono do estádio onde Márcio Chagas foi ofendido e encontrou bananas em seu carro, perdeu cinco mandos de campo e pagará multa de R$ 30 mil. "O único jeito de acabar com o racismo é a união de todos, não se calando, além da educação das pessoas", diz Assis.

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