Assustado, Palmeiras joga por empate

A eliminação do Campeonato Paulista pelo Corinthians fragilizou ainda mais os jogadores do Palmeiras. Alguns deles chegam a desprezar a tradição e não escondem que a equipe não pode ser considerada favorita nem para enfrentar o Operário do Mato Grosso amanhã, às 21h40, no Parque Antártica pela Copa do Brasil. O time do técnico Jair Picerni garante a vaga com apenas um empate (venceu o jogo de ida em Cuiabá por 1 a 0), mas a realidade que se vê na Academia de Futebol é bem diferente da frieza dos números: a incerteza e o medo da reação da torcida em caso de novo insucesso tomaram conta do grupo. "Atualmente, o Palmeiras já entra em campo cercado da desconfiança geral. Mas não podemos deixar que a derrota para o Corinthians no sábado passado interfira no prosseguimento do trabalho. A competição é diferente, os adversários também", afirmou Marcos. O goleiro se esforça para mostrar uma tranquilidade que não existe. A maior prova está na convicção de que a torcida não está mais suportando o rótulo de time médio que vem caracterizando o Palmeiras nos últimos anos. "Tenho certeza que a paciência dos torcedores está acabando. Mas só resta fazer a nossa parte. Cada jogador que está aqui tem a sua qualidade, mas infelizmente o conjunto foi muito prejudicado por contusões e suspensões desde o início da temporada. Seria bom se reforços chegassem ao clube, mas essa é uma questão que não diz respeito a mim". Para enfrentar o Operário, Marcos garante que o Palmeiras entrará em campo carregando o regulamento. "É difícil prever o que vai acontecer, mas a Copa do Brasil é diferente. Tiramos lições da derrota para o ASA de Arapiraca no ano passado. É claro que cada partida tem a sua história, mas, se dermos bobeira, a classificação pode não acontecer". Descartando ter recebido um convite do Marítimo de Portugal, Jair Picerni voltou a questionar a qualidade do grupo que tem nas mãos. E reiterou que está esperando para os próximos dias a chegada de pelo menos cinco reforços. "Estamos tentando superar as dificuldades com coragem mas há um componente final que acaba fazendo a diferença: a qualidade. No entanto, ninguém vai arrancar de mim críticas individuais a algum jogador. Nosso projeto, como eu já disse, é trabalhar jogo a jogo. Quem sabe se, no final, o balanço não melhora". No entanto, a confiança não parece ter contagiado o treinador. "Vamos ser sufocados em todos os jogos. E amanhã o Operário vai querer correr muito. Temos que tentar os três pontos com tranquilidade. Infelizmente, no futebol o reconhecimento só vem com vitórias". O primeiro jogador a pagar pela goleada sofrida para o Corinthians foi Zinho, que deixará a equipe para a entrada de Pedrinho. Sabedor de que a fase não anda boa para o seu lado, o novo reserva contemporizou. "Estou tranquilo. Tenho que entender que as alterações são saudáveis neste momento porque o time inteiro está mal. Não jogo sozinho, isso aqui é um grupo". Para Claudecir, as frases feitas que não comprometem explicam por que o time ainda não decolou em 2003. "O grupo ainda está em formação, e o entrosamento não vem de uma hora para outra. Precisamos melhorar muito".

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