Astros da Inter reduzem salário

Ronaldo, Vieri e Recoba, os milionários astros da Internazionale, entraram em acordo com a diretoria do clube e aceitaram uma redução salarial. Os três atacantes concordaram em receber entre 5 e 10% a menos, para evitar que a crise financeira que já chegou ao futebol italiano afete também a equipe de Milão.Quem confirmou a notícia foi o próprio Recoba. Segundo ele, que disse ter conversado com Ronaldo e Vieri por telefone, a medida foi um ?gesto de afeto? ao presidente da Inter, Massimo Moratti."É um gesto para que o presidente saiba que estamos convencidos de que o Inter pode ser cada vez maior, já que fez grande esforço para formar um grande elenco?, disse o atacante uruguaio, através do site oficial do clube de Milão na internet.Recoba é o jogador mais bem pago do futebol italiano. Recebe o equivalente a US$ 8 milhões de dólares por temporada, só de salários, e tem contrato até junho de 2006. O italiano Vieri ganha US$ 5 milhões e seu compromisso com a Inter só acaba em junho de 2004, na mesma época do brasileiro Ronaldo, que recebe US$ 4,5 milhões por ano do clube de Milão.Problemas - A atitude dos três é um claro sinal de como a crise bate forte na Itália. Um dos mercados mais ricos do futebol mundial teme a bancarrota, por conta dos altos salários dos jogadores e da queda de receita. O prejuízo acumulado na temporada de 2001-2002 ficou em torno de US$ 700 milhões, o que desencadeou debate nacional para busca de soluções. A principal - e mais urgente - medida para suavizar os prejuízos seria a redução de salários dos atletas profissionais. A sugestão, apresentada por representantes dos dirigentes, em princípio assustou, mas começa a ser analisada com mais sensatez e até já ganhou poderosos adeptos.A abertura do diálogo entre jogadores e dirigentes para a redução dos salários já tinha sido anunciada na sexta-feira por Sergio Campana, presidente da associação nacional dos jogadores da Itália, que tem peso de sindicato da categoria.Sergio Campana garantiu que seus colegas estão dispostos a tornar os contratos "mais flexíveis", para ajudar a superar tempos bicudos que o ?calcio? vive. Uma das alternativas seria a de reduzir em 20% os ganhos de atletas de equipes que sejam rebaixadas de divisão. Com isso, a folha ficaria mais adequada à inevitável perda de rendimento, já que são mais baixos os preços dos ingressos, contratos de publicidade nos estádios, os patrocínios e as quotas de televisão.Outra opção refere-se aos acertos com jogadores do grupo de elite. Os salários, poderiam ser compostos de duas formas: uma parte fixa e outra variável, que poderia aumentar de acordo com o desempenho das equipes. "Os clubes poderiam estabelecer metas", comentou Campana. "Os jogadores receberiam prêmios por pontos conquistados, vitórias, gols marcados, classificação ou outros fatores", afirmou o líder sindical, em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.

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