Reprodução/Twitter/nge_official
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Atacante Jô revela: ‘em alguns casos, existe interferência externa'

Ídolo da torcida do Corinthians, ele fala sobre sua adaptação ao futebol japonês e defende o uso do árbitro de vídeo

Entrevista com

, atacante do Nagoya Grampus

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 07h03

Campeão Paulista, Brasileiro e artilheiro do Corinthians no ano passado, ainda está na memória de todo torcedor alvinegro. No Japão, ele defende o Nagoya Grampus, lanterna do Campeonato Japonês. O atacante, que disputou 16 partidas e marcou seis gols, conversou com o Estado e afirmou que existe interferência externa durante os jogos no Brasil. O jogador defende o uso do árbitro de vídeo - se o recurso tivesse sido usado em 2017 poderia ter anulado seu gol de mão contra o Vasco. Ele promete voltar para a equipe que o revelou e fala de seus hábitos no mundo oriental. 

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Como avalia os primeiros meses no Nagoya Grampus?

O time não começou tão bem, mas nos últimos jogos melhorou. A situação não é fácil, mas temos uma boa equipe e vamos nos adaptando. Aqui o jogo é mais rápido e agora estou entendendo melhor como funcionam as coisas. O método que o treinador quer impor não se aplica a curto prazo. Ele gosta de toque de bola, algo meio Barcelona, e estamos levando muitos gols por erros bobos na saída de bola. 

Seu contrato vai até o fim de 2020. Pretende retornar ao Brasil?

Estou em um lugar com tranquilidade gigantesca para trabalhar. Não posso falar em voltar agora, pois estaria desrespeitando quem confiou em mim, mas é claro que a gente vai pensar com carinho quando terminar o contrato. A prioridade é o Corinthians. 

Acompanha os jogos e tem falado com seus ex-companheiros?

Tenho contato com uns 90% dos jogadores. Sempre o Fábio (Carille) e eu trocamos mensagens. Difícil desvincular nem quero fazer isso. Alguns jogos são de madrugada aqui e, por isso, não consigo acompanhar. Mas eu vejo as partidas no meio da semana. 

Imaginou que o time sentiria tanto a sua falta? O que pensa sobre o atacante Roger?

Não tinha como imaginar. A chegada do Roger talvez resolva isso, já que ele tem características parecidas com as minhas. Eu sou canhoto e talvez seja um pouco mais difícil marcar atacantes assim, mas nada que faça muita diferença. Eu acredito muito nele e espero que a torcida tenha paciência.

Sobre as polêmicas com arbitragem nos últimos jogos, você acredita em interferência externa?

Em alguns casos, existe sim. A televisão reprisa o lance e a informação sempre vem de fora. Várias vezes acontece de o jogador voltar do intervalo e ir falar com o árbitro que a TV mostrou o erro dele. Muitas vezes, a imprensa que fica na beira do gramado tem a informação e passa. 

Já viu árbitro mudar uma marcação por ser avisado? Acha que teve na final do Paulista?

Diretamente não, mas a gente pressiona o árbitro esperando que, em uma decisão futura, possa interferir na marcação dele o fato de saber que ele já errou no jogo. Na dúvida, ele pode marcar outra coisa. Sobre o clássico, difícil falar alguma coisa. Não estava no jogo. 

Defende o uso de árbitro de vídeo (VAR)?

Defendo. Se tivesse no ano passado, o gol de mão que eu fiz (contra o Vasco) seria invalidado e tive dois gols mal anulados que seriam marcados (contra Coritiba e Flamengo). 

Se arrepende do gol de mão?

Me arrependo de não ter revisto o gol logo depois do jogo. Na hora do lance, juro que não senti tocar na mão. Mas eu devia, ainda no vestiário, ver o vídeo e admitir o erro. Só fiz isso depois e virou polêmica. 

Domingo tem Corinthians x Palmeiras. Saudades do clássico?

Muita. Minha vida mudou por causa desse jogo e aquele gol (na fase de grupos do Paulistão, em 2017). Vejo o Corinthians mais pressionado e o Palmeiras vivendo um grande momento, mas espero que o clássico seja novamente um jogo-chave para nós. 

Voltando ao Japão, como tem sido a adaptação ao país?

Está bem tranquila. Temos dois tradutores que nos ajudam e me viro no Inglês também. Uma coisa que acho legal e vou levar para a minha vida é tirar o sapato quando se entra em casa, para não levar a sujeira para dentro. Aqui sempre se fala baixo e só pode atravessar a rua no farol verde para pedestre. 

Sofreu preconceito?

Racial não, graças a Deus. O que acontece é que existe uma desconfiança com estrangeiro em campo. Acham sempre que a gente está simulando falta e que somos “malandros”. 

Pensa em seleção brasileira?

Para essa Copa seria um milagre, até pelo momento ruim da minha equipe. Eu esperava uma oportunidade no ano passado, pela temporada maravilhosa, mas não aconteceu. 

E que recado você deixa para a torcida do Corinthians?

Eu só agradeço por tudo. Aqui no Japão, recebo direto mensagem de torcedor pedindo para eu retornar e dizendo coisas bacanas. Eu vou voltar, podem ficar tranquilos.

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