Atacante faz jornada dupla como dirigente para contratar elenco

Fábio Júnior vira artilheiro e gestor do Villa Nova em Minas Gerais

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2016 | 17h00

O telefone do atacante Fábio Júnior, de 38 anos, tocou em outubro do ano passado. Do outro lado da linha, recebeu a proposta de disputar pelo Villa Nova o Campeonato Mineiro de 2016, com status de principal reforço. O convite foi aceito, mas as atribuições do veterano na passagem pelo 17º clube da carreira têm sido maiores do que somente fazer gols. O jogador virou ao mesmo tempo dirigente.

O ex-Cruzeiro, Atlético-MG, Palmeiras e seleção brasileira era o único jogador de todo o elenco quando assinou contrato. A menos de três meses da temporada, o time de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, não tinha comissão técnica, diretoria e muito menos companheiros de equipe para Fábio Júnior.

O próprio atacante também estava parado havia meses, depois de sair do Guarani, de Divinópolis, e precisou voltar à ativa no futebol pelos bastidores.

"Quando cheguei, não tinha um gerente de futebol para fazer esse trabalho de montagem do elenco. Ou eu fazia, ou não tinha como disputar o campeonato. O clube havia dispensado todo mundo e passado por uma troca de presidente", contou Fábio Júnior ao Estado.

Nos dois primeiros meses de Villa Nova o atacante mal pisou no campo, mas trabalhou bastante com telefonemas, contratos e negociações. Como dirigente, trouxe mais de 20 atletas, foi atrás de patrocínio, sondou investidores e, assim, escolheu quem seriam seus atuais colegas de equipe.

Novato na função de diretor, o atacante preferiu não arriscar. "Aceitei o desafio e comecei a ligar para amigos que tinham jogado comigo e já me conheciam. Depois, montei o perfil do elenco. Fiz tudo isso sozinho", contou com orgulho.

A procura por antigos colegas fez chegar ao Villa Nova jogadores conhecidos da torcida. Dos tempos de América-MG, trouxe Mancini e Thiago Silvy. Também chamou o atacante Soares, ex-Fluminense, e o meia Roger Guerreiro, que defendeu a seleção da Polônia.

Fábio Júnior só pôde voltar a ser jogador em janeiro, quando o clube estava mais estruturado, com a contratação de uma comissão técnica liderada pelo técnico Wilson Gottardo e até de um gerente de futebol para suceder o atacante. Essas condições permitiram que o veterano se sentisse “liberado” para ser "apenas" atuar no Villa.

"Sempre que posso, continuo a ajudar na gestão do clube, mesmo que agora a prioridade seja jogar", afirmou o autor de quatro gols no Estadual.

O trabalho do dirigente estreante rendeu bons resultados. O time faz boa campanha no Mineiro, apesar de na última semana ter sido goleado pelo Atlético-MG por 7 a 2. A equipe está em quinto lugar e precisa de uma combinação de resultados para ir à semifinal.

Hoje o time enfrenta o Guarani pela última rodada da primeira fase. Um vitória garante o direito de disputar o Brasileiro da Série D e, assim, ter calendário no segundo semestre do ano.

O sucesso repentino como dirigente despertou nele o interesse de apostar na carreira. "Passei a pensar em fazer um curso de gestão e me preparar bem, porque fui pego de surpresa. Quem sabe um dia posso vir a assumir a função de forma definitiva", contou.

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Futebol tem outros casos de jogadores que também são 'cartolas'

Rivaldo foi meia e presidiu clube, Verón foi dirigente na Argentina

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2016 | 17h00

A jornada dupla de Fábio Júnior como jogador e dirigente é um exemplo raro no futebol, principalmente no Brasil. Em clubes de primeiro escalão no futebol estadual, geralmente quem é atleta não precisa se encarregar de funções extracampo. Antes do atacante desempenhar esse papel, o meia Rivaldo teve longa permanência como presidente do Mogi Mirim. O pentacampeão na Copa de 2002 assumiu o cargo no fim de 2008.

Anos depois, em 2011, se licenciou da presidência para jogar no São Paulo, mas entre 2014 e 2015, defendeu o próprio Mogi Mirim enquanto era presidente. Em uma das ocasiões atuou até mesmo ao lado do filho em uma partida da Série B. 

Fora do Brasil, o caso mais recente e emblemático foi com o argentino Juan Sebastian Verón. O meia voltou ao Estudiantes La Plata para encerrar a carreira, chegou a se aposentar, mas voltou atrás e disputou alguns jogos enquanto ocupava o cargo de diretor esportivo do clube.

O futebol inglês teve na história vários exemplos de jogadores que atuaram como treinadores das equipes, como Ruud Gullit, no Chelsea, e anos atrás, Ryan Giggs no Manchester United. Entre os brasileiros, Romário e Roberto Carlos ocuparam a função interinamente.

A jornada dupla de Fábio Júnior como jogador e dirigente é um exemplo raro no futebol, principalmente no Brasil. Em clubes de primeiro escalão no futebol estadual, geralmente quem é atleta não precisa se encarregar de funções extracampo. Antes do atacante desempenhar esse papel, o meia Rivaldo teve longa permanência como presidente do Mogi Mirim. O pentacampeão na Copa de 2002 assumiu o cargo no fim de 2008.

Anos depois, em 2011, se licenciou da presidência para jogar no São Paulo, mas entre 2014 e 2015, defendeu o próprio Mogi Mirim enquanto era presidente. Em uma das ocasiões atuou até mesmo ao lado do filho em uma partida da Série B.

Fora do Brasil, o caso mais recente e emblemático foi com o argentino Juan Sebastian Verón. O meia voltou ao Estudiantes La Plata para encerrar a carreira, chegou a se aposentar, mas voltou atrás e disputou alguns jogos enquanto ocupava o cargo de diretor esportivo do clube.

O futebol inglês teve na história vários exemplos de jogadores que atuaram como treinadores das equipes, como Ruud Gullit, no Chelsea, e anos atrás, Ryan Giggs no Manchester United. Entre os brasileiros, Romário e Roberto Carlos ocuparam a função interinamente.

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