Ataliba: à margem da democracia corintiana

De carrasco a ídolo do Corinthians, Ataliba marcou época no futebol brasileiro. Ponta-direita nato, fez história primeiro no Juventus e depois na Democracia Corintiana, quando ajudou o clube do Parque São Jorge a conquistar os títulos paulistas de 1982 e 83. Hoje, aos 47 anos, vive basicamente dos rendimentos de imóveis alugados. O amor pela bola, no entanto, o leva de segunda a sexta-feira para Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste, onde trabalha no ?Projeto Craque de Sempre?, da Prefeitura de São Paulo, com o propósito de tirar os meninos carentes das ruas.?Sinto muita saudades da época de jogador, principalmente da fase da Democracia Corintiana. Só que não era tão democrática assim. Valia mais para alguns do que para outros?, entrega o ex-jogador, revelando que, naquela época, alguns atletas tinham poderes sobre os próprios colegas. E conta uma história que jamais esqueceu.?Em um treino às vésperas de um jogo contra o Flamengo, em 1983, fui para a reserva sem maiores explicações. Quando fui perguntar para o (técnico) Jorge Vieira, fiquei sabendo que a decisão tinha sido tomada pelo Sócrates.?Segundo Ataliba, o então meia Sócrates comandava um ?colegiado?, que tomava as decisões mais importantes do elenco. ?Tanto o Jorge Vieira quanto o Mário Travaglini, os dois treinadores da época, eram maravilhosos, mas não mandavam quase nada.?O colegiado também tinha poderes para definir quem seria contratado pelo clube. ?O Jota Maria, por exemplo, só chegou depois de muito impasse. O mesmo aconteceu com o Leão, que era contrário às regras impostas pelos líderes?, conta Ataliba, referindo-se ao ex-goleiro que hoje é técnico do Santos.Ataliba confessa que ao jogar pelo Corinthians pôde realizar o maior sonho de sua carreira: ?Dei meus primeiros chutes no Parque São Jorge, quando era dente-de-leite. E vivi uma das maiores emoções da vida quando soube do interesse do Corinthians por mim. Não demorei mais de dois minutos para assinar o contrato. Mas o carinho pelo Juventus também é imenso. Lá me revelei e marquei muitos gols, especialmente contra o time do meu coração.?Passagens por Santos, Santo André, Santa Cruz, Guará, Gama, Grêmio Maringá e Olimpiakos, da Grécia, completaram sua carreira. ?Só lamento que o futebol de agora ofereça muito mais dinheiro. Enquanto demorei dez anos para construir minha casa, hoje qualquer jogador mediano compra um bom apartamento em três meses.?

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2004 | 09h37

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