Até a Líbia, de Khadafi, quer Copa de 2010

Egito, Tunísia e Líbia, ao contrário da Nigéria, não pretendem desistir: vão à luta até o fim, mesmo sabendo que a África do Sul é favorita à conquista da sede da Copa do Mundo de 2010 e o Marrocos surge como segunda força. Em campanha pelos votos do Comitê Executivo da Fifa, esses cinco países africanos levam adiante estratégias diferentes. Se o Marrocos tenta fazer prevalecer a idéia de que se tornou um dos mais modernos países árabes, o Egito leva a vantagem de abrigar a sede da Confederação Africana de Futebol (na região do Cairo), a Tunísia exibe o sucesso de organizadora da recente Copa Africana de Nações, a Líbia é franca atiradora e a África do Sul confia no sucesso de sua imagem pós-apartheid. A Fifa anuncia, em 15 de maio, o país escolhido. Campeã olímpica de futebol de 1996, a Nigéria ficou pelo caminho: a exemplo de outras nações africanas agitadas por crises econômicas e políticas, admitiu sua instabilidade e desistiu da candidatura apresentada há dois anos. Havia motivos de sobra. Afinal, não faz muito tempo que a Nigéria, diante de atos terroristas contra visitantes estrangeiros, suspendeu um concurso de Miss Mundo programado para Lagos e admitiu que as lindas candidatas fossem transferidas para Londres. Quem não consegue fazer concurso de miss, não pode mesmo organizar campeonato de futebol de 32 seleções. Se a Nigéria não pode, o que leva um país como a Líbia a manter a candidatura ao Mundial, um campeonato ultimamente organizado apenas por países do grupo dos sete mais ricos do mundo ou por Tigres Asiáticos? Sem dúvida, neste caso pesa maior o ímpeto megalomaníaco de Muammar Khadafi, um ditador que domina a Líbia há 35 anos e tem em seu filho Saadi Khadafi o braço de controle no futebol do país. Saadi, jogador medíocre que andou fazendo trapalhadas no Perugia, da Itália, é vice-presidente da Federação Líbia de Futebol e presidiu o Al-Attihad, o clube mais popular de Tripoli. Isso tudo e o petróleo da Líbia são insuficientes para convencer a Fifa. O panorama internacional prejudica as pretensões de países árabes. Não bastasse o ditador Khadafi ser um terrorista arrependido, a cidade de Tânger, no Marrocos, é a terra de suspeitos dos atentados de 11 de março em Madri. Além disso, os quatro candidatos do norte da África contam com pelo menos um vizinho incômodo, a Argélia, de tantos ataques de muçulmanos integristas. Vantagem para a África do Sul, no extremo do continente.

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