Até os atletas devem para o Flamengo

Com uma dívida de R$ 209 milhões, o conselho fiscal do Flamengo rejeitou o balanço e a prestação que os dirigentes do clube apresentaram no ano passado. De acordo com documento recebido pelos senadores da CPI do Futebol, as irregularidades atingem até mesmo atletas do clube. Eles teriam recebido adiantamento de salário e não prestaram contas. Ou pelo menos não existem documentos comprovando que assim o fizeram. O goleiro Clemer, com uma dívida de R$ 67,21 mil, o jogador Fábio Baiano, devendo R$ 183,78 mil, e o atacante Iranildo, que pegou R$ 149,49 mil adiantados, estão na lista de devedores.Numa lista em que aparecem 11 pessoas igualmente favorecidas por adiantamento de salário, consta o nome do ex-presidente George Hela.Não existe nenhum recibo comprovando que ele tenha devolvido os R$ 11,95 mil que pegou do clube. O conselho considerou suspeito vários negócios contabilizados pela empresa suíça ISL, ex-patrocinadora do clube, sem a apresentação de documentos que comprovem a sua realização.Estão entre eles a remessa de cerca de R$ 6 milhões para o Banco Pactual e os R$ 3 milhões que teria aplicado em "obras de melhoria".O relator da CPI, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), quis saber do ex-vice-presidente do clube, Bruno Caravallo, que depôs hoje, se ele sabia o por quê de tantas irregularidades. Ele respondeu que deve ter havido "alguma confusão" na elaboração do documento preparado pelo conselho fiscal. Já a contadora Maria Ângela Alves pediu para falar em sessão secreta. Ela se recusou a dizer em público até mesmo se está sendo vítima de constrangimento ou ameaça por ter sido convocada a depor. À noite entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas corpus, com pedido de liminar, apresentados por Caravallo e Maria Ângela para não serem presos ou processados pela CPI, no caso de se recusarem a responder às perguntas dos senadores. A ação, que deve estar atrasada, foi distribuída ao ministro Moreira Alves.De acordo com Caravello, os recursos previstos no contrato firmado com a ISL, no total de US$ 80 milhões, não passavam pelo caixa do clube. Ele disse que essa decisão partiu do conselho deliberativo, que teria impedido a direção do Flamengo de manter controle sobre esse dinheiro, "destinado a custear a compra de jogadores e outras despesas do clube".O presidente da comissão, senador Álvaro Dias, informou que a dívida parcial do clube, sem contar os débitos incluídos no contrato com a ISL, é de R$ 144 milhões. A ISL, no dizer do senador, só cobriu no ano passado US$ 14 milhões do total dessa dívida.Um das denúncias diz respeito ao pagamento de US$ 1,55 milhão pela cessão dos direitos de imagem do atleta Petkovic pelo período de quatro anos à Picoline Corporation. "Acontece que não há fatura ou outro documento equivalente e não há prova de que esta empresa fosse detentora desses direitos", informam os membros do conselho fiscal. Outra denúncia é sobre o pagamento de US$ 450 mil feitos à Lake Blue Development, sem que exista base legal que justifique este gasto.

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