Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Até uniformizadas contestam torcida única no clássico de domingo

Torcedores do Corinthians e do Palmeiras criticam medida da FPF que prevê venda de ingressos apenas para palmeirenses

Gonçalo Júnior e Paulo Fávero, O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 11h08

As torcidas organizadas criticam a determinação do Ministério Público de que o clássico de domingo, entre Palmeiras e Corinthians, tenha torcida única.

Para Rafael Scarlati, vice-presidente da Mancha Verde, esse não pode ser o caminho para dar mais segurança aos fãs. "As autoridades gostam de um flash, para aparecer. É uma atitude populista porque dá ibope. Eles não estão preocupados com a segurança de fato. Acho que vai abrir um precedente que não vai voltar mais", afirma.Membros da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, afirmam que a torcida única não resolve o problema da violência. Por meio de sua assessoria de imprensa, a torcida informou que a sua posição é a posição do clube. Na noite desta quinta-feira, a diretoria do Corinthians divulgou uma nota informando que vai entrar na Justiça pelo direito de seus torcedores assistirem ao clássico no estádio. "Se o Poder Público não consegue conter e combater os torcedores violentos – estes sim os que deveriam ser afastados dos estádios – não é determinando a realização de partidas com torcida única que o problema será resolvido", diz trecho da nota.

O palmeirense lembra, inclusive, que os torcedores já foram à Arena Corinthians no ano passado, com esquema de escolta e segurança reforçados, e nada ocorreu. "Nós chegamos no Itaquerão sem problema algum e não aconteceu nada. Todo torcedor tem direito de acompanhar seu time e nossa cultura é estar ao lado do Palmeiras, junto com o clube", continua. "Acho que não é o caminho. E quando o Palmeiras for jogar lá, não poderemos ir?", questiona.

O dirigente da Mancha reconhece que a partida de domingo entre os dois clubes é de risco, mas minimiza a tensão envolvida. "Todo Palmeiras e Corinthians é complicado, são 100 anos de rivalidade. Mas no último clássico não ocorreu nada , pois fomos escoltados e deu tudo certo."

Ele cita, inclusive, a briga na avenida Inajar de Souza em 2012, quando dois palmeirenses foram mortos. "O que aconteceu foi uma emboscada bem longe do estádio. Se estiver mal intencionado, vai acontecer, não tem jeito. Dois caras da Mancha morreram e nenhum corintiano foi preso até agora. Cadê as autoridades?"

Sob a condição de anonimato "para não prejudicar a unidade do movimento", corintianos ouvidos pelo Estado afirmaram que vários confrontos já aconteceram antes e depois das partidas. Além disso, temem que a prática seja adotada em todos os jogos, acabando com "a grandeza dos clássicos". Por fim, os corintianos que afirmam que só "os torcedores violentos têm de ser banidos dos estádios e não a torcida inteira".

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