Reprodição/Ag. Corinthians
Reprodição/Ag. Corinthians

Atletas do futebol feminino no Brasil ainda jogam sem registro profissional

Dirigentes dos clubes grandes rejeitam gasto com a modalidade alegando falta de retorno financeiro

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2018 | 07h00

Investir no futebol feminino custa pouco em comparação com as cifras astronômicas que envolvem os homens. Pelo que o Estado apurou, com orçamento anual de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões é possível montar um time competitivo. A rejeição dos dirigentes, porém, está no retorno financeiro. Basicamente, a modalidade é deficitária, mesmo em clubes já estabelecidos no cenário nacional.

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Para se ter uma ideia, a equipe campeã brasileira da Série A1 recebe da CBF algo em torno de R$ 120 mil de prêmio. Entre os homens, o título rendeu mais de R$ 18 milhões ao Corinthians na última temporada.

No caso dos times femininos, não há pagamento por direitos televisivos. As fontes de receita acabam sendo limitadas a patrocínio de camisa e, em raríssimos casos, direitos econômicos. Santos, Ferroviária e Iranduba-AM são exemplos de equipes que assinam a Carteira de Trabalho das jogadores.

Por outro lado, o próprio Corinthians, que acaba de abrir mão da parceria com o Audax, de Osasco (SP), para investir em um time próprio, ainda registra as suas atletas com vínculos não profissionais, conforme é possível verificar pelo BID (Boletim Informativo Diário) da CBF. De acordo com a diretora Cristiane Gambaré, isto acontece porque o projeto do futebol feminino corintiano é bancado via Lei de Incentivo ao Esporte, que proíbe o pagamento ao esporte profissional. Ou seja, na prática, todas as jogadoras do elenco são amadoras.

"O Corinthians contratou algumas jogadoras e já as perdeu antes mesmo de treinar ou jogar. Perdeu porque não tem vínculo com elas. Aí vem os clubes da Europa que são profissionais e levam mesmo", analisou a treinadora do Santos, Emily Lima.

O clube da Baixada Santista percebeu que poderia começar a ganhar dinheiro com suas Sereias da Vila, a exemplo do que já faz com as joias que despontam entre os homens. "Se você pegar um contrato de jogadora nossa, vai ver que ele é igualzinho ao do masculino. Então, a quebra de contrato gera multa, logo, receita ao clube", explicou o gerente executivo Alessandro Rodrigues.

"A questão da obrigatoriedade em si não é o melhor dos mundos. Mas entendo que, em havendo essa obrigatoriedade, ela tende a contribuir para o desenvolvimento da modalidade como um todo", disse Alessandro Rodrigues.

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