Bruno Cantini/Atlético
Bruno Cantini/Atlético

Atlético-MG é denunciado pelo STJD por cantos homofóbicos da torcida em clássico

Torcedores do clube causaram polêmica em jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão

Estadão Conteúdo

26 de setembro de 2018 | 19h38

A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou nesta quarta-feira o Atlético-MG pelos cantos homofóbicos entoados por parte da torcida no clássico contra o Cruzeiro, no Mineirão, no último dia 16, válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Enquadrado em dois incisos do artigo 191 por descumprimento do Estatuto do Torcedor e do Regulamento Geral de Competições (RGC), o clube mineiro será julgado nesta sexta, dia 28 de setembro, pela Quinta Comissão Disciplinar. A sessão está agendada para as 13h30, no Rio de Janeiro.

O episódio ocorreu durante o clássico com o Cruzeiro, em que parte dos torcedores do Atlético-MG entoou cânticos discriminatórios contra a torcida adversária: "Ô cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar viado".

Na ocasião, após o clássico, a diretoria do Atlético-MG emitiu nota de repúdio nas redes sociais do clube, se posicionando contra o comportamento de parte dos torcedores. "O Clube Atlético Mineiro lamenta profundamente as manifestações homofóbicas de parte dos torcedores, no jogo deste domingo, no Mineirão. Reiteramos nosso repúdio a quaisquer gestos de preconceito ou de incitação à violência. A maior torcida de Minas é composta por pessoas de todas as classes sociais, raças e gêneros, não cabendo qualquer tipo de discriminação. Isso não faz parte da nossa gloriosa história!", escreveu na época.

Para a Procuradoria, "a torcida é parte indissociável dos clubes, sendo deste a responsabilidade pelas atitudes tipificáveis perpetradas por aquela". Dessa maneira, a Procuradoria denunciou o Atlético-MG por descumprir o artigo 13-A do inciso V do Estatuto do Torcedor, que proíbe os torcedores de entoar cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos; e o artigo 66 do RGC, que veda conteúdo político.

O Atlético-MG responderá no STJD ao artigo 191 do CBJD por deixar de cumprir ou dificultar o cumprimento de obrigação legal e o regulamento e corre risco de receber multa de até R$ 100 mil por infração.

Vale destacar que não se trata de um episódio isolado no futebol brasileiro. A CBF foi multada pela quinta vez pela Fifa por causa de cantos homofóbicos da torcida durante uma partida da seleção brasileira. O incidente ocorreu em 10 de outubro de 2017, na vitória por 3 a 0 sobre o Chile, pelas Eliminatórias da Copa, no Allianz Parque. A punição foi de 10 mil francos suíço (R$ 32,8 mil) e uma advertência.

A CBF já havia sido multada pelo mesmo motivo nos jogos contra o Equador (Arena do Grêmio), Paraguai (Itaquerão), Bolívia (Arena das Dunas) e Colômbia (Arena da Amazônia). No total, a entidade já teve de desembolsar cerca de R$ 292 mil.

 

 

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