Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Atlético-MG põe sua história em jogo

Sem um título internacional de peso em 105 anos, time mineiro tem de vencer o Olimpia por três gols de diferença para levantar a ataça no Mineirão

RAPHAEL RAMOS - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2013 | 07h32

BELO HORIZONTE - O Atlético-MG disputa nesta quarta-feira contra o Olimpia, às 21h50, no Mineirão, a partida mais importante dos seus 105 anos de história. Se for campeão da Copa Libertadores, seu nome se consolidará, enfim, no cenário internacional. O dia 24 de julho pode ser o início de uma nova era num clube que carrega a pecha de ser forte apenas dentro do seu Estado – o único título brasileiro foi conquistado no longíquo ano de 1971.

Mas, para escrever o capítulo mais glorioso da sua história, o Galo tem de torcer para o raio cair duas vezes no mesmo lugar. Como perdeu por 2 a 0 no Paraguai, o Atlético precisa vencer por dois gols de diferença para levar o jogo para a prorrogação. Isso já aconteceu uma vez no Mineirão diante do mesmo Olimpia. Foi em 1992, na final da Copa Conmebol.

O time mineiro também vai precisar que uma virada que ocorreu somente uma vez em 53 anos de história da Libertadores aconteça agora novamente. Apenas em 1989, quando o Atlético Nacional, da Colômbia, perdeu o primeiro duelo justamente para o Olimpia, por 2 a 0, é que uma equipe conseguiu reverter uma vantagem desse tamanho para ser campeã.

Para alcançar essa virada, Cuca tenta arrumar a equipe e dar a cartada final. O desafio do treinador é não deixar que a ansiedade e a pressão em cima dos jogadores impeçam que o time apresente o bom futebol que o notabilizou no torneio.

Cuca sabe que a margem de erro está reduzida e já avisou isso aos jogadores. “Vamos ter de suar sangue. É o jogo das nossas vidas. Não podemos errar”, sentenciou o volante Pierre.

O Atlético-MG não terá os dois laterais, Marcos Rocha e Richarlyson, suspensos. Na direita, Cuca faz mistério, mas Michel é o mais cotado para ficar com a vaga. Na esquerda, a entrada de Junior César é certa.

Na frente, Bernard volta de suspensão como a esperança atleticana para desmontar a defesa paraguaia ao lado de Ronaldinho Gaúcho, que foi muito mal no primeiro jogo.

O poder de fogo de Diego Tardelli e Jô, artilheiros do time na Libertadores com seis gols cada, também é um triunfo da equipe, que será empurrada por 62 mil torcedores. Os ingressos estão esgotados. A expectativa em torno da decisão é enorme em Belo Horizonte. Cambistas chegam a cobrar R$ 1 mil por um bilhete. A torcida promete montar um mosaico que vai cobrir toda a arquibancada.

O retrospecto da equipe no novo Mineirão, inaugurado este ano, porém, não é dos melhores. O Galo jogou no estádio três vezes. Na reabertura, perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro. Depois, venceu o Villa Nova por 2 a 1 e, na decisão do campeonato estadual, voltou a ser derrotado pelo Cruzeiro por 2 a 1, mas ficou com o título porque vencera o primeiro jogo por 3 a 0.

O objetivo da diretoria era continuar jogando no Independência, onde o Galo ostenta uma série invicta de 38 jogos. O estádio, porém, tem capacidade para apenas 23 mil pessoas e o regulamento exige no mínimo 40 mil lugares para decisão.

Para se adaptar ao palco da final, o time treinou domingo e segunda-feira no estádio. O objetivo de Cuca era que os jogadores se acostumassem com a iluminação e a velocidade da bola. Nesta terça, a equipe realizou um treino leve e descontraído na Cidade do Galo, em Vespasiano.

O presidente Alexandre Kalil acompanhou a atividade na beira do gramado e, ao fim do treino, deu um abraço e cochichou no ouvido de Ronaldinho Gaúcho. Não é de se duvidar que tenha pedido ao craque uma vitória neta quarta. Por três gols de diferença, é claro.

ATLÉTICO-MG X OLIMPIA

Atlético-MG: Victor; Michel, Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierri, Josué e Ronaldinho; Bernard, Diego Tardelli e Jô. Técnico: Cuca.

Olimpia: Martín Silva; Candia, Manzur, Miranda e Benítez; Gimenez, Pittoni, Aranda e Alejandro Silva; Bareiro e Salgueiro. Técnico: Hugo Almeida.

Juiz: Wilmar Roldán (Colômbia)

Local: Mineirão, em Belo Horizonte

Horário: 21h50

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