FREDY BUILES | REUTERS
FREDY BUILES | REUTERS

Atlético Nacional mudou a filosofia de contratações nos últimos anos

Clube se utiliza de poderio financeiro para contratar bons jogadores

Ciro Campos, enviado especial a Medellín, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2016 | 06h00

Miguel Borja precisou de quatro jogos para colocar o Atlético Nacional na história. O atacante fez cinco gols nas últimas partidas decisivas da Copa Libertadores, garantiu o título sul-americano e personificou o quanto o clube mudou de filosofia. Em vez de apostar nos talentos locais, reconquistou o topo da América graças ao poderio financeiro de contratar jogadores.

O carrasco do São Paulo na última Libertadores veio do pequeno Cortuluá para mudar a história do Nacional, ao ser contratado às vésperas da semifinal. O clube que se orgulhava na década de 1980 por apostar em jogadores do departamento de Antioquia se tornou um gigante rico e comprador de talentos.

O elenco atual tem variadas nacionalidades, como argentinos, panamenhos e paraguaios. A diretoria, fora investir nas categorias de base, acompanha com atenção o surgimento de possíveis reforços com potencial de valorização em negócios futuros.

O olhar atento vai desde o monitoramento de campeonatos locais de pouca expressão até a busca em países vizinhos, como na Venezuela. Longe de ser potência, a liga local serviu para revelar o meia Alejandro Guerra, especulado como reforço em clubes brasileiros como Santos e Palmeiras.

O mesmo se passou com o goleiro Franco Armani. O argentino veio do Deportivo Merlo, de divisões inferiores do país. Atualmente é titular e ídolo da torcida.

A transformação do clube tem mexido com a estrutura física da sede. Localizada em Itagüi, região metropolitana de Medellín, o conjunto de prédios vai passar por reforma. A atual sala de troféus está apertada. O Estado visitou o local na última sexta-feira. O plano é construir um museu aberto à visitação dos torcedores.

Enquanto isso, fotos, luvas de goleiro, ingressos de jogos antigos ficam dispostos em um dos corredores do prédio, decorado cuidadosamente com detalhes em verde, mesmo que seja somente no corrimão. Curiosamente, a taça da Libertadores não fica exposta. Na falta de uns mostruário ideal, a saída foi mantê-la trancada na sala do presidente o clube.

Ataques. Com o dinheiro da organização Ardila Lülle, o clube se tornou rico, porém com algumas polêmicas sobre conflito de interesses. Os rivais costumam questionar como o Nacional pode ser um dos empreendimentos de um conglomerado que até anos atrás dava nome ao campeonato e possui canais de televisão e emissoras de rádio que transmitem os jogos.

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