Gustavo Oliveira|Site Oficial do
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Atlético-PR adota modelo europeu de gestão

Ideia principal é apostar na profissionalização em todos os departamentos

Gonçalo Junior, enviado especial a Curitiba, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2017 | 17h00

Mário Celso Petráglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, revela a impressão que um dirigente do Kashima Antlers, do Japão, teve do Centro de Treinamento do Caju. “Ele disse que estava no Brasil, mas que tinha a impressão de estar em um clube europeu.”

Adotar um modelo europeu significa, entre outros diferenciais, ter uma filosofia de trabalho e práticas de gestão acima dos profissionais que passam pelo clube. A profissionalização está presente em todos os departamentos sob o conceito de ‘transdisciplinaridade’, ou seja, as áreas trabalham em sinergia, uma ajuda a outra e todas utilizam as mesmas informações.

No ano passado, foram 21 visitas de delegações internacionais para ver como o Atlético trabalha. E existem parcerias formais de intercâmbio com o Orlando City, dos EUA, e o Kaiserslautern, da Alemanha.

A passagem pelo futebol europeu é um dos requisitos quando o clube busca um gestor. Profissionais de dez nacionalidades diferentes passaram ou estão no Atlético. Enquanto cartolas brasileiros citam Barcelona ou Manchester United como modelos, os dirigentes paranaenses foram mais assertivos e escolheram um time à sua imagem e semelhança. A inspiração foi a visão do Southampton, clube da primeira divisão inglesa que vendeu 200 milhões de libras (R$ 790 milhões) em jogadores formados nos últimos anos. A equipe capta talentos regionalmente, melhorou estruturas e a metodologia. Forma atletas para o time e para a comercialização.

Outro salto importante foi a parceria com a Exos, empresa especializada em alta performance de atletas e que ajudou na arrancada da seleção alemã rumo ao título na Copa de 2014. O trabalho engloba mentalidade, nutrição, movimento e recuperação dos jogadores. Um dos trabalhos envolve a análise de vídeos do movimento de cada atleta para “balancear” seus atos, como se fosse um automóvel. Isso é feito a cada três meses. Para cuidar da performance mental, dois psicólogos e dois psiquiatras trabalham no clube.

No CT do Caju, as bases usam as mesmas instalações do time principal. Todos comem no mesmo restaurante e até os dormitórios são iguais – muda apenas o número de atletas por quarto. Tudo para facilitar a integração. Hoje, 66% do grupo de 33 jogadores foram formados na base. Em 2013, ano em que o clube voltou à Série A, o porcentual era de 25%. Até o sistema de jogo (4-4-2) é unificado do sub-15 ao profissional. O técnico do time principal, Paulo Autuori, trabalha no mesmo espaço físico das comissões técnicas da base.

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