Atrações e dúvidas marcam Carioca de 2004

O Campeonato Carioca de 2004 tem sido marcado por contrastes, com algumas atrações e os problemas crônicos dos últimos anos. Ao mesmo tempo em que a média de público de jogos envolvendo grandes clubes teve uma sensível melhora e alguns reforços renomados foram contratados por Vasco e Fluminense, as dúvidas sobre a imparcialidade dos árbitros e auxiliares se acentuaram. Neste ponto, mais uma vez o Americano de Campos encontra-se no centro das atenções. O clube de coração do presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Eduardo Viana, é acusado de receber ajuda deliberada dos árbitros do Rio. Dirigentes e treinadores de Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, América e Friburguense reclamaram com veemência dos erros de arbitragem nos jogos com o Americano. E na última rodada da Taça Rio, o returno do campeonato, houve interferência direta de Viana na programação das partidas. O Americano precisava de um empate com o Fluminense para se classificar à fase semifinal e o jogo estava marcado para o Maracanã. O Botafogo tinha interesse direto no confronto, pois ainda lutava pela classificação. Viana então resolveu transferir Flu x Americano para o campo do Bangu, contrariando o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, que chegou a ameaçar não levar seu time a campo para enfrentar o Madureira. Com uma certa ajuda do Tricolor das Laranjeiras, que atuou com equipe reserva e com a benevolência da arbitragem, o Americano empatou e conseguiu a vaga. Ao mesmo tempo em que o duelo era travado no estádio do Bangu, outro jogo de risco era disputado pelo Carioca: América x Bangu, em Edson Passos, Baixada Fluminense. Os dois tentavam se livrar do rebaixamento e, após o jogo, o presidente do América, Reginaldo Mathias, declarou que vetara mais de 30 árbitros e assistentes "ladrões" para a partida. "Havia um esquema para beneficiar o Bangu, eu me antecipei à manobra", disse Mathias, ex-árbitro, que trabalhou entre 1968 a 1985, e ex-presidente do Sindicato dos Árbitros do Rio. A última semana também foi conturbada no futebol do Rio, marcada pela invasão da Ferj por policiais civis e oficiais de justiça, que tentavam descobrir documentos que comporvassem evasão de renda em duas partidas disputadas em 2003 no Maracanã. Funcionários da federação tentaram impedir a entrada deles e receberam voz de prisão. Algumas portas e cadeados da entidade tiveram de ser arrombados. "Não há nada irregular, posso garantir", disse Eduardo Viana, ainda no estádio do Bangu, depois de ser ofendido por torcedores do Fluminense e de responder no mesmo tom aos agressores.

Agencia Estado,

23 de março de 2004 | 19h39

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