Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Atrações e perigos da Bélgica

O grande desafio para a seleção brasileira está em controlar seus instintos e suas emoções em um duelo que é tudo ou nada

Maurício Noriega, comentarista

06 Julho 2018 | 04h00

Finalmente, chegou o dia em que o torcedor brasileiro sentirá pela primeira vez aquele friozinho na barriga nesta Copa do Mundo. Sem menosprezar os adversários anteriores, a Bélgica é o primeiro rival capaz de, efetivamente, causar danos ao time do Brasil. Um adversário simultaneamente atraente e perigoso.

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A Bélgica é atraente para o estilo de jogo do Brasil porque até aqui jogou e deixou jogar em solo russo. Mostrou qualidades, fez 12 gols, média de três por partida, mas ofereceu latifúndios em sua lenta e pesada defesa para o veloz e mortal ataque brasileiro percorrer. Duvido que a Bélgica encare o Brasil com a passividade defensiva demonstrada contra os japoneses. Seria suicídio. Nenhuma outra seleção é tão letal na parte final do campo como a brasileira.

Mas onde mora o perigo na Bélgica? Do meio-campo para a frente e no jogo pelo alto. Na equipe que terminou a partida contra o Japão, havia quatro jogadores com 1,90m ou mais - sem contar o goleiro Courtois, que tem 1,99m. Nenhum dos grandalhões é daqueles desengonçados. Todos sabem jogar, dois deles muito bem: Lukaku (1,90m) e Fellaini (1,94m). Certamente, os belgas vão explorar a altura desses jogadores e também dos zagueiros Kompany (1,90m) e Meunier (1,90m), abusando das bolas longas invertidas, nas costas dos laterais brasileiros, ambos na casa dos 1,70m. Claro que o talento de Hazard, o mais habilidoso e rápido, e De Bruyne (este ainda fora de seu melhor jogo nesta Copa do Mundo) incomoda muito.

A Bélgica costuma jogar no sistema 3-4-3, com três zagueiros, quatro meio-campistas e três atacantes. Mas muda para o 3-5-2 e até para o 3-6-1 durante o jogo. Marca de longe, não costuma ser agressiva, seus zagueiros não atacam a bola. Que seja assim contra o Brasil, aqui em Kazan. Embora eu ache pouco provável.

 

As tentações belgas parecem ser feitas sob encomenda para o time brasileiro. Tite assumiu e, em 25 partidas, seu time sofreu apenas seis gols - um neste Mundial. O sistema defensivo bloqueia 43% dos chutes que vão em direção à meta defendida por Alisson. Contra o México, o Brasil pacientemente controlou o adversário, foi minando suas tentativas, até encontrar o caminho da vitória graças ao talento dos homens de frente. Até aceitou um jogo algo bate-volta, o que é pouco comum neste ciclo, mas sempre sem correr grandes riscos.

O time brasileiro está consolidando um sistema 4-4-2 muito compacto, ocupando bem os espaços pelo meio e tirando Neymar e Willian das posições fixas pelo lado de campo. Com a aproximação dos laterais, pode avançar pelo terreno defensivo belga com grande poder de fogo, explorando a avenida deixada pelos meias belgas, que normalmente se posicionam muito longe dos três zagueiros, que atuam em uma linha, sem um jogador como último defensor, a chamada sobra. É muita tentação.

O grande desafio para a seleção brasileira está em controlar seus instintos e suas emoções em um duelo que é tudo ou nada. Representa uma semifinal de Copa ou então voltar para casa uma etapa atrás em relação ao time do 7 a 1. Saber cobiçar a atraente defesa belga, sem cair na tentação de ceder aos perigos de seus homens altos e meias bons de bola. A Copa cobra caro de quem erra, mesmo jogando melhor.

*MAURÍCIO NORIEGA É COMENTARISTA DO SPORTV

 

 

 

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