Axel Schmidt/Reuters
Axel Schmidt/Reuters

Atual campeã, Alemanha inicia Copa com o desafio de se manter no topo

Primeiro adversário será o México, neste domingo, ao meio-dia, no estádio de Luzhniki, em Moscou

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2018 | 05h00

Atual campeã mundial e da Copa das Confederações, líder do ranking da Fifa e vencedora dos 10 jogos que disputou nas eliminatórias da Europa, a Alemanha estreia na Copa do Mundo com um desafio particular: o de se manter no topo. O primeiro adversário é o México, no estádio de Luzhniki, em Moscou, neste domingo, ao meio-dia (horário de Brasília). 

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É aquela velha história: continuar como rival a ser batido e tão difícil como chegar nessa condição. Desde 2014, a comissão técnica começou a pensar no futuro. Do elenco atual, nove são remanescentes da conquista de 2014 no Brasil. Philipp Lahm, Miroslav Klose e o reserva Per Mertesacker se aposentaram do time. Mas não foi só isso. Muita coisa não estava no script, entre eles, a queda de desempenho de protagonistas, como Bastian Schweinsteiger e as lesões frequentes das promessas, como Marco Reus e Ilkay Gündogan. Alguns talentos frustraram a comissão técnica e sumiram. O atacante Mario Götze simplesmente não vingou depois de ter o gol que garantiu a vitória no Brasil. 

Mesmo com esses problemas, a Alemanha continua fortíssima e conquistou a vaga na Eurocopa sem dificuldades. O que começou a deixar os torcedores com a pulga atrás da orelha foram alguns resultados surpreendentes, como as derrotas históricas para Polônia e Irlanda, assim como tropeços em amistosos entre 2014 e 2015. 

Na preparação à Euro 2016, vieram derrotas para Inglaterra e Eslováquia. Mais recentemente, já na reta final para a Copa, o time perdeu para a Áustria – a mesma que foi derrotada pelo Brasil por 3 a 0 na semana passada. Em outras palavras: a Alemanha caiu de produção. O meia Toni Kroos dá a entender que até as oscilações foram normais. “Evoluímos nos amistosos, mas não conseguimos todos os resultados que queríamos. Sabemos que tudo foi planejado pensando na disputa do Mundial”, afirmou o jogador do Real Madrid. 

 

Ao longo da semana, o técnico Joachim Löw tentou minimizar a pressão sobre os donos do mundo. Sua intenção é fortalecer o grupo psicologicamente se as coisas não derem certo. Os alemães tomam a Espanha como exemplo. Os espanhóis chegaram ao Brasil em 2014 como campeões mundiais, mas caíram na primeira fase. A Itália caiu na mesma etapa em 2010 depois de ganhar o Mundial quatro anos antes, e a França que, após o título em 1998, fez apenas os três jogos iniciais em 2002. São casos isolados, mas que estão no radar alemão. “Todos querem derrubar a Alemanha. Nós trabalhamos, chegamos até aqui e agora precisamos nos manter”, disse, após o primeiro treino na Rússia. 

Ele afirma que ainda não dá para pensar no Brasil – os dois gigantes podem se enfrentar por causa da possibilidade de chaveamento dos Grupos E e F. “A Sérvia fez uma boa qualificação, a Suíça também fez. O Brasil é favorito desse grupo, mas... não há dúvidas de que estamos observando o geral”, disse Löw. 

O diferencial do time continua sendo o trabalho coletivo. E, por incrível que pareça, o sistema de jogo continua eficiente, mesmo que os resultados apontem queda. É um time que sabe trabalhar os passes, encontra espaços nas retrancas, bloqueia os espaços e não costuma perder chances. São astros, mas também operários. 

Nesse contexto, o jogador mais procurado pelas crianças que foram assistir ao treino aberto no início da semana foi o goleiro Neuer. Apesar da lesão que o tirou dos gramados por nove meses, é intocável. Apesar da falta de ritmo, mostrou que está bem nos amistosos.  A chave da Alemanha que quer se manter lá em cima é o trio de meias. Aqui está a maior dúvida sobre quem vai jogar, e Löw falou que vai estimular a concorrência. Thomas Müller teve altos e baixos no Bayern de Munique, mas vai bem na seleção. Existem possibilidades para Özil, Draxler e Marco Reus.

 

 

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