Johnny Torres|Diário da Região
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Atual campeão do Paulista feminino tem marido e mulher como técnicos

Chicão e Doroteia comandam o Rio Preto

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2017 | 07h00

Imagine Tite no comando da seleção brasileira e a mulher dele como auxiliar, dando seus pitacos na escalação ou no esquema tático Parece surreal, mas é o que acontece no Rio Preto, atual campeão paulista feminino. Francisco Regera, o Chicão, de 60 anos, comanda a equipe ao lado da mulher Doroteia Inojo, de 54. A dupla faz sucesso em campo com a curiosa parceria. 

O que motiva ambos a trabalharem juntos não é algo tático ou familiar, mas o medo que Chicão tem de andar de avião. Por isso, nos jogos longe de São José do Rio Preto quem comanda o time, e viaja, é Doroteia. 

“Nunca tentei entrar em um bicho desse (avião). Tenho muito medo. Quando tem jogo fora, prefiro ficar em casa cuidando dos cachorros e a Doroteia vai. Tenho medo até de elevador”, exagera o treinador. Duas das três filhas do casal também trabalham no Rio Preto. Milene é auxiliar técnica dos pais e Darlene, atacante – ela está com a seleção brasileira.

Embora tenha um time forte, o Rio Preto está longe de ser milionário. A folha salarial da equipe gira em torno de R$ 40 mil mensais. Ainda assim, encarou rivais de peso no ano passado e bateu o Santos na decisão. Por essas e outras razões, as meninas são mais respeitadas na cidade do que o time masculino, que disputa a Série A-3.

“Por um lado é bom, porque a gente é muito bem tratada na cidade. Mas, por outro, é ruim, porque ouvimos muita coisa chata. Tem gente que fala que as meninas jogam mais que os meninos, que se a gente se enfrentasse, ganharíamos de 10 a 0, e esse assunto é ruim. O importante é que nós vamos sempre no jogo deles e eles assistem aos nossos jogos”, diz Doroteia.

Chicão também é “diferenciado’’ taticamente. Com ele, nada de ficar tocando a bola, como virou moda no futebol brasileiro. “Não tem essa de sair tocando. A gente tem de atacar para fazer gol, né? O bom é que a Doroteia e eu pensamos iguais. Eu mando as meninas darem chutões pra frente. Aí, a gente vai para cima do rival. Só jogamos no ataque, nada de ficar dando toquinhos”, diz o treinador.

As atletas se assustam quando encontram dois técnicos na beira do campo, principalmente quando sabem que são marido e mulher, mas gostam da excentricidade da equipe. 

“É legal ter dois técnicos, ainda mais eles, que deixam a gente bem à vontade. A cumplicidade dos dois é cativante e diferente de se ver”, diz a atacante Milene, que revela sua preferência no comando. “A Doroteia cobra um pouco mais. Ela é mais rígida do que o Chicão”, diz. 

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