Atuar com lógica é arma de Luxemburgo

Nos últimos jogos, Wanderley Luxemburgo tem mostrado ser um treinador de futebol adepto do lado lógico do esporte. Cada vez mais ele quer diminuir a influência do chamado "Sobrenatural de Almeida" - tão propagado nos textos do jornalista Nelson Rodrigues nos anos 60 - em uma partida. Um exemplo de sua obsessão contra o imponderável foi na semifinal contra o Santos, quando utilizou-se de pontos eletrônicos para se comunicar com os jogadores Maurício e Ricardinho. A atitude gerou polêmica e o equipamento passou a ser proibido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).O técnico discordou da decisão, alegando que a evolução da ciência deve servir como um instrumento de auxílio em todos os setores. Segundo ele, o regulamento não proibia este tipo de procedimento. No domingo, contra o Botafogo, em Ribeirão Preto, ficou nítida a influência dos artifícios de Luxemburgo em cada movimento dos jogadores corintianos. Enquanto o lateral Rogério avançava pela direita, o volante Otacílio era obrigado a ficar na cobertura.Em seu esquema, os laterais não costumam avançar simultaneamente. Cada passo deve ser dado de forma milimétrica, como ocorre no funcionamento de um relógio. Caso contrário, o jogador leva uma bronca estrondosa na frente de jornalistas e torcedores. É isto que mantém o técnico com o grupo nas mãos. Além das várias jogadas ensaiadas durante os treinamentos.Até na falta cobrada por Marcelinho, que resultou no primeiro gol do Corinthians, Luxemburgo teve sua parcela de responsabilidade. Ele orientou para que Otacílio, João Carlos e Scheidt ficassem à direita da barreira. A colocação dos três tirou completamente a visão do goleiro botafoguense Doni no momento do chute. "Mudei de canto percebendo isto. A colocação dos três foi importante para que o gol saísse", destacou o meia Marcelinho, referindo-se ao trabalho em conjunto.

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