Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Aumento da segurança tranquiliza a Fifa durante Copa das Confederações

Com clima mais calmo, Joseph Blatter confirmou o retorno ao País para as semifinais e finais

LEONARDO MAIA E JAMIL CHADE - Enviados Especiais, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2013 | 07h44

RIO - O governo federal e a Fifa acreditam que o momento mais crítico da Copa das Confederações foi superado. A realização do jogo entre Brasil e Itália, sábado, em Salvador, no qual não houve nenhum incidente relevante envolvendo delegações ou a entidade, amenizou o clima de tensão e deu confiança aos organizadores de que é possível chegar ao fim da competição sem maiores contratempos.

Uma reunião entre Fifa, Comitê Organizador Local (COL) e representantes do Ministério do Esporte, realizada ontem, no hotel que serve de base para a operação da Copa, fez um balanço do torneio até sua metade. O parecer será apresentado hoje, em coletiva no Maracanã, com as presenças de Jérôme Valcke, secretário geral da Fifa, Ricardo Trade, diretor do COL, e Luís Fernandes, secretário do Ministério do Esporte.

“Vivemos um momento extraordinário na história do País, mas acho que ontem (sábado), o jogo do Brasil, foi um ponto de virada. Não houve nada”, comentou Fernandes ao Estado, e acrescentou que a Fifa está mais tranquila com o bom andamento da competição até a final. Depois de pressionado, o governo federal garantiu no final da semana passada um aumento de 30% no efetivo de policiais para todos os estádios e delegações.

No mesmo momento em que dirigentes e autoridades federais se reuniam, uma manifestação que se iniciou ontem em Copacabana passou em frente ao hotel onde os funcionários da Fifa estão hospedados. A princípio, eles pareceram um pouco apreensivos com a chegada da passeata, e se colocaram em uma varanda para observar o protesto. Quando os manifestantes se dirigiram para a casa do governador do Rio, Sérgio Cabral, em Ipanema, eles deixaram a sacada sorrindo.

Já no hotel que serve de residência para a cúpula da entidade, o Copacabana Palace, funcionários retiraram da entrada bandeiras da Fifa, temendo se transformar em alvo dos manifestantes. Pelo menos dez seguranças foram enviados ao portão do local.

“A Fifa e nós estamos preocupados como tem que ser. Nos preocupamos com todos os aspectos (da organização)”, disse Trade, à reportagem, refutando que haja um clima de tensão no ar. “O Jérôme é um cara muito tranquilo”, atestou, ao ser questionado sobre o teor da reunião. “O governo está fazendo o trabalho dele fora dos estádios e nós estamos fazendo o nosso, que é dentro.”

Apesar do protesto ocorrido em Belo Horizonte, também no sábado, durante a partida entre México e Japão, quando houve forte confronto entre polícia e manifestantes, Trade garantiu que não serão tomadas medidas adicionais de segurança para a semifinal entre Brasil e Uruguai, quarta-feira, na capital mineira. E nem para a final, dia 30, no Maracanã. “Podem ficar tranquilos que está tudo bem”, garantiu Trade.

Retorno. Diante de um ambiente que começa a apontar para um maior controle por parte das autoridades públicas, a Fifa confirmou que seu presidente, Joseph Blatter, retornará ao Brasil para as semifinais da Copa das Confederações e permanecerá no Brasil até o final da competição. O Estado apurou que o retorno só foi confirmado depois que o governo deu garantias de que a proteção à “família Fifa” seria incrementada em 30%.

A Fifa garante que Blatter não chegará hoje e que, antes de aterrissar no Rio de Janeiro, o cartola passará por Zurique. Ele estava na Turquia, onde acompanhou o Mundial Sub 20.

O governo se irritou com o comportamento da Fifa de fazer cobranças por segurança por conta da competição e se surpreendeu diante da decisão de Blatter deixar o País, em meio ao caos e polêmicas. Blatter tinha reuniões e jantares marcados com governadores e políticos brasileiros nos dias que se ausentou do Brasil.

O cartola deixou para Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, a responsabilidade de lidar com os problemas e negociar com o governo um novo esquema de segurança. Na sexta-feira, Brasília comunicou à Fifa o aumento nos efetivos em 30%.

Mesmo diante dos problemas, a Fifa ainda comemora o fato de que a Copa das Confederações está tendo uma audiência recorde na história da competição. Para o jogo Brasil x México, por exemplo, a audiência, em horário nobre na TV da Europa, chegou a 40 milhões de pessoas, das quais 26 milhões foram no Brasil. A partida superou a marca obtida pela Fórmula 1, que tem uma média de 30,2 milhões de pessoas de audiência a cada corrida.

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