Autópsia não determina morte de jogador

Os portugueses estão chocados com a tragédia de domingo, em Guimarães, quando o húngaro Miklos Féher, do Benfica, morreu, depois de se sentir mal, quase no fim da partida com o Vitória. A autópsia não revelou os motivos do acidente e o Ministério Público local pediu novos exames. O corpo do jogador, de 24 anos, foi liberado nesta segunda-feira mesmo, houve velório durante a madrugada no Estádio da Luz, em Lisboa, e o enterro está marcado para quarta-feira em Gyor, sua cidade natal.O caso Féher emocionou o país e as emissoras de televisão mostraram várias vezes, durante o dia, seus últimos momentos de vida. Na primeira cena, ele aparece sorrindo, depois de levar cartão amarelo, por atrapalhar cobrança de lateral do Vitória. Em seguida, curva o corpo, como se tivesse sentido contusão muscular. Na seqüência, cai, bate a cabeça, respira com dificuldade. Os médicos entram em campo, enquanto companheiros se desesperam. "Em princípio, pensei que fosse um problema simples", disse o árbitro Olegário Benquerença. "Depois, pela forma estática como ficou me dei conta de que era algo muito grave", relatou. "Ao sorriso aberto, após o cartão, veio a tragédia. Jamais esquecerei."O Ministério Público também não quer que o caso passe batido. Como acontece em episódios semelhantes, foi pedida análise complementar, já que a autópsia não revelou as causas da morte. Em nota curta, de apenas dois parágrafos, a Procuradoria Geral da República garantiu nesta segunda-feira que serão feitos testes anátomo-patológicos e toxicológicos. Há suspeita de que tenha ocorrido "trombose pulmonar".A discussão gira torno, agora, da prevenção de acidentes como esse - igual ao do camaronês Marc-Vivien Foe, que morreu durante a Copa das Confederações do ano passado, na França. "Mortes súbitas continuarão a ocorrer, mesmo com exames de prevenção", afirmou Enrique González-Ruano, chefe do serviço médico da Federação Espanhola de Futebol. "Os testes de que dispomos apontam riscos em potencial, mas nem sempre podem evitar tragédias."Féher aparentemente tinha saúde normal e passou por controles, como qualquer jogador. "Ele tinha condição física excelente", garantiu Imre Bozoki, presidente da federação de futebol da Hungria. "Foi uma tragédia para o meu país." O dirigente também pretende acompanhar as investigações.Os pais, a irmã e a noiva de Féher (iam casar-se nos próximos meses) chegaram nesta segunda-feira a Lisboa para o velório. Durante o dia, centenas de torcedores levaram flores e assinaram o livro de pêsames na sede do Benfica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.