David W. Cerny/Reuters
David W. Cerny/Reuters

Autores espanhóis exaltam Nadal e fazem Federer menor em obra

Livro conta 'a história da rivalidade mais importante do tênis', entre o espanhol e o suíço

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 05h00

Não é nenhum segredo que Roger Federer e Rafael Nadal são duas potências do tênis. Juntos, dominaram o circuito por pelo menos dez anos. Foram 501 semanas no topo do ranking (310 para o suíço e 191 para o espanhol), 37 títulos de Grand Slam e um assombro de 178 troféus conquistados. Mesmo com tantos feitos, poucos esperavam que eles voltariam a dominar o circuito em 2017, aos 36 e 31 anos, respectivamente.

É a partir desta “retomada de poder” que os jornalistas espanhóis Antonio Arenas e Rafael Plaza escrevem Nadal & Federer – A História da rivalidade mais importante do tênis. A obra pega carona nas conquistas de 2017 para contar desde o início a relação entre aqueles que são considerados por muitos como os maiores da história do tênis.

Para quem não acompanhou o circuito profissional, vale recordar: Federer e Nadal precisaram encerrar suas temporadas de forma precoce em 2016, por lesões. O desgaste físico e a queda técnica logo geraram expectativa de que jamais repetiriam as conquistas de outros tempos. Os afobados davam a aposentadoria deles como certa. 

Mas, de forma surpreendente, Federer voltou ao circuito com o título do Aberto da Austrália. Depois venceu em Wimbledon pela 8.ª vez. Nadal foi campeão pela 10.ª vez em Roland Garros e ainda levou o US Open. Ambos faturaram outros torneios importantes no ano passado. Logo estavam brigando pela liderança do ranking. 

Nadal é o líder da ATP, Federer ocupa o segundo posto.

Esta retomada da dupla é contada em detalhes na obra. Os autores destacam como o espírito competitivo de Nadal e Federer, de constante esforço e consequente crescimento, fizeram deles sumidades. Mostram como um ajudou a definir o outro, como se um novo degrau que um consegue subir se transformasse em estímulo à evolução do outro. Não há grandes revelações, mas não faltam boas histórias e até “causos” de bastidores, quase todos tendo Rafael Nadal como protagonista.

Apesar de o livro ter como foco a rivalidade entre os dois, a narrativa se concentra no espanhol. Não por acaso. Os autores são seus compatriotas. E a maior proximidade dos jornalistas com a trajetória do “Rei do Saibro” fica evidente em cada capítulo. Há passagens interessantes sobre a personalidade do tenista, medroso e um tanto avoado fora das quadras. Citam seu gosto – quase um vício – em jogar ludo, aquele do tabuleiro, e games. E também o hábito dos colegas de carregarem controles extras para o caso de Nadal arremessar algum na parede. Mencionam as séries favoritas da Rafa, e a relação dos enredos com a personalidade do atleta.

Em certos trechos, há exaltação excessiva do tenista espanhol, como no capítulo em que descrevem a importância da quadra central do Masters 1000 de Montecarlo, onde ele foi campeão por onze vezes. “Foi lá que Rafa nasceu, cresceu e subiu até tocar o céu com a ponta dos dedos.”

Nadal é retratado como atleta de comportamento perfeito com e sem a raquete na mão, enquanto Federer ganha pouco espaço no livro. Chega a ser tratado como antipático em alguns trechos. Só recebe maior destaque quando tece elogios ao colega. Por tudo isso, a obra mais se assemelha a um complemento da autobiografia do espanhol publicada em 2011 e escrita em parceria com o jornalista inglês John Carlin.

Apesar da inclinação na narrativa, a obra tem méritos por destacar e valorizar este relacionamento de 14 anos entre dois ícones do esporte que são rivais e também amigos, caso raro no tênis e em outras modalidades.

 

 

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