Thanassis Stavrakis| AP
Thanassis Stavrakis| AP

Autoridades russas apoiam brigões da Euro: 'Que continuem!'

'São homens de verdade', diz porta-voz de Comitê de Investigações. Membro da confederação exalta 'defesa da terra natal'

O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2016 | 10h33

Desde o primeiro dia de jogos, o confronto entre torcedores dos países participantes da Eurocopa tem preocupado as autoridades francesas e da Uefa. Nesta terça-feira, o comitê disciplinar da entidade europeia puniu a Rússia em 150 mil euros (R$ 588,08 mil) e avisou que, se forem registrados novos casos de violência, a seleção será eliminada do torneio. 

Apesar das medidas para tentar interromper as brigas, o vice-presidente da câmara dos deputados e membro da União de Futebol da Rússia, equivalente à confederação local, Igor Lebedev, mostrou apoio aos torcedores. Em sua conta no Twitter, o parlamentar publicou uma série de mensagens, nas quais diz "não ter nada de errado nos conflitos". "Pelo contrário, muito bem, garotos! Que continuem assim!", completou. 

Lebedev ainda eximiu os brigões de qualquer culpa, a colocando sobre as autoridades do país-sede. "Não entendo o que aqueles políticos e oficiais que estão criticando nossos torcedores. Deveríamos defendê-los e resolver esses problemas quando voltarem para casa. O que aconteceu em Marselha e em outras cidades francesas não é culpa dos fãs, mas da inabilidade da polícia em organizar corretamente esses eventos", publicou. 

Na rede social, o deputado publicou uma entrevista que concedera ao site Life.ru. Na matéria, ele exalta a luta dos torcedores: "Em nove de dez casos os aficionados de futebol vão aos jogos para brigar, e isso é normal. Esses caras defenderam a honra do seu país e não deixaram os ingleses profanar nossa terra natal. Deveríamos perdoá-los e entendê-los". 

"Nossos fãs estão longe de serem os piores. Não está claro porque a mídia está dizendo que a ação deles é vergonhosa. Deveriam ser objetivos. Se não houvesse provocação dos ingleses, é pouco provável que os russos brigariam nas arquibancadas", finalizou. 

Torcedores de Rússia e Inglaterra se enfrentaram pelas ruas de Marselha na véspera da partida entre ambas as seleções, estreia na Eurocopa. Os dois grupos voltaram a se enfrentar dentro do estádio, ao final do empate entre 1 a 1, em partida válida pelo Grupo B da competição. 

Além de Lebedev, Vladmir Markin, porta-voz do Comitê de Investigações da Rússia, também usou o Twitter para elogiar os torcedores. Markin rebateu o promotor francês Brice Robin, que classificou os russos como "bem preparados para ações ultra rápidas e violentas". Segundo ele, os fãs são "homens normais, como eles deveriam ser, o que surpreende os franceses. Isso porque eles se acostumaram em ver 'homens' em paradas gay". 

Após as respostas de Markin e Lebedev, o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov declarou a jornalistas que "não compartilha as declarações dos colegas, que em nenhum momento refletem a postura oficial". 

PUNIÇÃO EXAGERADA

Depois de a Uefa anunciar nesta terça-feira que aplicou uma punição "em suspenso" à Rússia, informando que a seleção do país será excluída da Eurocopa se incidentes envolvendo os seus torcedores voltarem a acontecer, o ministro do Esporte do país, Vitaly Mutko, afirmou que não recorreria contra esta pena, mas enfatizou que a considerou severa.

"A decisão (de multar a Rússia em 150 mil euros, outra punição aplicada à federação de futebol do país pela Uefa) já era pré-determinada. Foi uma decisão do comitê executivo, agora eles apenas confirmam essa decisão", afirmou o ministro em entrevista para a agência de notícias russa R-Sport, na qual depois enfatizou: "A punição (como um todo) é excessiva, mas não podemos influenciar nela. A multa é enorme, assim como a União de Futebol da Rússia é uma organização não comercial. Não há sentido em apelar, mas o que a seleção tem a ver com isso? Não é culpa dela".

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