Autoridades veem irregularidades na obra da Arena Palestra

Após morte de operário, Ministério Público do Trabalho pode aplicar punição à Wtorre

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2013 | 08h08

SÃO PAULO - O Ministério Público do Trabalho identificou irregularidades relacionadas à segurança dos trabalhadores na diligência realizada nesta terça-feira no canteiro de obras da Arena Palestra. Um dos problemas encontrados foi o uso inadequado de grades protetoras.

A inspeção foi motivada pela morte na terça-feira do operário Carlos de Jesus, atingido pelas lajes do setor em que serão construídos os camarotes do novo estádio. A construtora WTorre, responsável pela obra, será convocada na semana que vem para assinar um termo e corrigir todos os problemas.

Se não corrigi-los, poderá sofrer uma ação cível e até ser obrigada pelo Ministério Público a interromper as obras. Paralelamente, a construtora já foi multada por danos morais coletivos - o valor não foi divulgado.

Não foi a primeira vez que a empresa foi autuada. Em 2012, vários autos de infração foram lavrados por fiscais do trabalho por irregularidades relativas a saúde e segurança. Para cada problema, a empresa tem um período para se adequar, que varia de acordo com a gravidade. Até o fechamento da edição, a WTorre não havia se pronunciado.

INQUÉRITO

O delegado Marco Aurélio Batista, que atua no 23.º Distrito Policial, em Perdizes, e é o responsável pelo caso, informou que deve ouvir "não só os operários que estavam envolvidos na infraestrutura, mas também quem autorizava e fiscalizava a obra". Os dirigentes do Palmeiras, por enquanto, não serão chamados para depor no inquérito, que deverá ser terminado em 30 dias. Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público de São Paulo vai se pronunciar.

Nesta terça-feira, Crispiniano Santos, operário ferido na terça-feira, prestou depoimento na delegacia de Perdizes. "Ele contou que não percebeu nada antes da queda da laje. Foi tudo de repente e ele ficou inconsciente. Só acordou depois, quando era socorrido", disse o delegado.

ALERTA

O engenheiro Marcelo Tessler, especialista em gerenciamento de obras, afirma que ainda é cedo para apontar as causas da queda das lajes, mas garante que os acidentes, em geral, são causados por negligência dos operários, da construtora ou da fiscalização. O especialista também acredita que a morte do operário vai provocar uma profunda revisão dos processos. "A construtora deve estar revendo tudo o que está sendo feito. Deve estar um pandemônio lá."

Segundo Tessler, o acidente servirá como um alerta para todas as grandes obras em construção no Brasil. "Todo acidente traz lições, principalmente neste momento em que o Brasil se prepara para a Copa."

A construtora informou que o corpo de Carlos de Jesus será enterrado em Araci, na Bahia, a pedido dos familiares - eles estão sendo acompanhados por um psicólogo.

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