Autuori: ?Hoje existe solidariedade?

Quando Paulo Autuori chegou ao São Paulo, conhecia o potencial da equipe. Mas engana-se quem pensa que pegou um time pronto. O time campeão paulista com Emerson Leão é uma mera lembrança. Autuori reabilitou jogadores, implantou novo esquema tático e conquistou a torcida. Nesta entrevista, o treinador conta como levou a equipe à final da Taça Libertadores depois de 11 anos. Agência Estado - Como você conseguiu implantar seus métodos e transformar o ambiente no elenco ? Autuori - As vitórias facilitam muito. Mas quem faz isso, fundamentalmente, são os jogadores. Hoje existe solidariedade, todos se ajudam muito na equipe. AE - Então, o sucesso da equipe depende mais dos atletas do que do treinador? Autuori - O treinador tem a função de fazer o trabalho do líder, de comandar, mas o temperamento do grupo é determinante. AE - Depois de superar tantas dificuldades, como conter a empolgação da equipe nesta decisão ? Autuori - Não há motivo para empolgação. Quando se chega à final, é preciso manter a seriedade. Quem quer ser campeão não se deixa levar por badalação ou frescura. Aqui, somos todos profissionais. AE - O que é mais importante nesta fase decisiva? Autuori - Muitos jogadores do São Paulo já viveram esse clima de decisão outras vezes. Por isso, o mais importante é estar o mais próximo do que fazemos no dia-dia, manter a qualidade do nosso trabalho. AE - Como analisa a indefinição quanto ao local do primeiro jogo? Autuori - Só penso em preparar a equipe, deixo a polêmica para os dirigentes. Precisamos estar prontos para atuar até em Marte, se lá tiver um bom gramado. AE - Qual a importância para a equipe da volta do Cicinho, que estava na seleção brasileira ? Autuori - É uma grande opção que ganhamos. O Cicinho é importante por tudo o que fez e faz pelo time, além de estar com moral. AE - O que pode dizer a respeito do Atlético ? É um time mais fraco do que o Chivas ? Autuori - Não existe adversário fácil em uma final. Nunca ouvi falar isso, ainda mais numa competição como a Taça Libertadores. Essa história de favorito é bom para a mídia, para quem gosta de fazer sensacionalismo. O Atlético-PR teve méritos para chegar à final. Sabemos da capacidade deles. AE - Dos profissionais com os quais você trabalhou, quem mais lhe influenciou ? Autuori - Uma pessoa a quem vou ter sempre uma gratidão muito grande é o Marinho Perez, trabalhamos juntos por muitos anos. Além dele, há outros, casos do Telê Santana, do Parreira, do Zagallo, do Ênio Andrade, que para mim, são profissionais fora de série. AE - O que contribuiu para sua carreira ter dirigido a seleção do Peru ? Autuori - Todas as experiências são válidas. Antes de treinar o Peru, eu conhecia muito pouco a realidade sul-americana. Quando se trabalha fora do Brasil, percebe melhor semelhanças e diferenças entre os países. Tanto no futebol quanto na cultura.

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