Autuori não trabalha mais com Tardelli

Após seguidos atos de indisciplina, Diego Tardelli não tem mais espaço no elenco profissional do São Paulo. Pelo menos enquanto Paulo Autuori for o treinador da equipe. Essa é a posição da diretoria do clube, que já fala em negociar o atacante - afastado depois de faltar ao treino no domingo passado - por US$ 2 milhões, em janeiro, inclusive para o Palmeiras. Hoje, Tardelli pediu desculpas aos dirigentes e aos companheiros, mas parece conformado em perder a vaga no elenco que vai ao Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, no Japão. ?Perdi meu espaço com a chegada do Thiago e do Christian, não sou valorizado aqui?, observou. Enquanto Tardelli está fora do Mundial, o volante Denílson, de apenas 17 anos, percorre o caminho contrário. As boas atuações, especialmente contra o Corinthians, na segunda-feira, estão lhe garantindo um lugar no elenco que vai ao Japão - atualmente, é reserva imediato de Mineiro e Josué. ?Estou trabalhando para conseguir meu espaço, mas só vou pensar no Mundial quando estiver perto da viagem?, disse. Denilson, capitão da seleção brasileira sub-17, prefere não comentar a situação de Tardelli, mas indiretamente faz um alerta ao companheiro. ?Meu pai foi atleta profissional e sempre me aconselha a não aceitar qualquer convite para festas e baladas?, diz. ?Ele abandonou a carreira por causa disso: engravidou minha mãe (do irmão mais velho, Lenílson, de 18 anos) e teve de cuidar da família.? O jogador afirma que o pai, o ex-volante Pereira - atuou no Botafogo, Treze e Auto Esporte, times da Paraíba -, além de orientador é seu ídolo. ?Ele diz que a carreira de jogador é feita de muita dedicação.? CASTIGO - Punido pela diretoria, Tardelli começou a treinar hoje com o time B, em Cotia. É a segunda vez que sofre o castigo - em 2004, o técnico Cuca também o afastou. Em entrevista coletiva, hoje, voltou a afirmar que não se embriagou no sábado à noite. Admitiu que ingeriu bebida alcoólica, numa festa, passou mal no domingo e foi hospitalizado. ?Sei que vai ser difícil eu voltar para o time, talvez seja melhor sair e fazer como o Kaká, que foi só valorizado na Itália?, comparou. ?O importante não é se ele estava embriagado ou não: havia um compromisso profissional, um treino no dia seguinte e ele deveria ter se preservado?, disse Marco Aurélio Cunha, superintendente de Futebol do São Paulo. ?O Tardelli cometeu um erro num momento muito inoportuno, próximo do Mundial.? O técnico Emerson Leão, do Palmeiras, jamais escondeu a admiração pelo futebol de Tardelli. Foi o responsável por sua melhor fase, no Campeonato Paulista deste ano, e diz que o aceitaria, caso o São Paulo o libere. ?Poderíamos negociá-lo em definitivo ou por empréstimo, com qualquer equipe, inclusive com o Palmeiras, desde que por um preço justo?, disse Cunha. ?Mas até agora não houve contato, ninguém nos procurou.?

Agencia Estado,

25 de outubro de 2005 | 19h46

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