Mauro Pimentel/ AP
Mauro Pimentel/ AP
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

'Avanti, Palmeiras'

Equipe alviverde alcançou seu segundo título da Libertadores, ao derrotar o Santos, no Maracanã

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 21h22

Não foi em sua casa, como deveria ter sido, nem diante de sua gente, apaixonada e esperançosa, que chorou de alegria após o apito final, mas foi no lendário Maracanã, conhecido internacionalmente como disse o próprio técnico português Abel Ferreira antes de pisar em seu gramado pela primeira vez. Não foi o fino da bola, tampouco uma das melhores apresentações do time na temporada. Nem por isso há menos brilho na conquista do Palmeiras

A América é verde! O verde de suas matas, mas também da cor do vencedor da Libertadores. Bicampeão! O Palmeiras foi melhor do que o Santos, venceu por 1 a 0 com gol no fim de um herói improvável, Breno Lopes, como tantos outros no futebol, e festejou sua segunda conquista da competição sul-americana, a mais importante disparada no calendário dos clubes brasileiros.

“Meu Palmeiras”, como diz a música cantada no lugar do hino, “é o campeão da América”, gritavam os jogadores no Rio antes de ganhar as medalhas. Com a conquista, repetindo 1999, numa outra época, num outro Brasil, o time consegue as taças mais importantes que poderia ter dentro do País, do Paulistão à Libertadores, comemorando o Brasileirão e a Copa do Brasil, num curto período de tempo, de 2015 para cá, quando o clube se reorganizou para isso, traçou caminhos, mudou de rumo, mas nunca desistiu de suas ambições. O torcedor tem motivos para se orgulhar, mesmo longe de sua maior paixão num futebol atípico na pandemia. 

Os estádios estão vazios. Pelo menos estavam antes desses quase 5 mil convidados presentes no Mário Filho, numa decisão dos organizadores que deixou médicos e especialistas da saúde preocupados e que não deveria ser repetido nas outras finais.

Dois treinadores ajudaram na campanha vencedora, Luxemburgo e Abel Ferreira. E ainda o interino Andrey Lopes. “Grazie a tutti”. É preciso reconhecê-los. Abraçá-los quando for permitido. Mas foi o elenco que respondeu sempre que precisou, com vitórias importantes, na raça e na alma, com técnica e também com um pouco de sorte. 

Provou-se ainda que a aposta nas bases foi acertada. A safra é rica, competente, raçuda e ainda pode doar muito para a equipe. Nunca antes havia saído tantos garotos bons de bola numa mesma temporada. 

Ao lado desses meninos, uma turma de jogadores mais experientes, consagrados, formados em suas posições e que tinham um único objetivo: ganhar. Todos eles serviram de sustentação para os mais novos. Passaram confiança. Ensinaram os caminhos. Só assim se faz um time campeão.

Antes de derrubar seus oponentes, um a um, o Palmeiras já saía do vestiário de cabeça erguida, sabendo que podia e que nada era impossível para esse grupo. E assim foi até o fim. É preciso ressaltar ainda a organização do clube, sua gestão neste ano difícil. O Palmeiras é apontado como um dos mais organizados do futebol brasileiro, que paga em dia, que não deixa nada faltar aos atletas, que trabalha rápido e que se cobra lá dentro, como deve ser. O reconhecimento maior são os títulos conquistados. Todos eles. 

A Libertadores não foi o primeiro. Começou com o Paulistão 2020. A Libertadores também não é nem de longe a última obsessão. Para esse elenco, vencedor, que enche o palmeirense de orgulho, em festa em São Paulo e pelo Brasil, que ficará para a história do clube, a campanha não acaba no Maracanã. Ela só começa. Há uma final de Copa do Brasil a ser disputada. Há um Brasileirão em andamento. E, claro, o Palmeiras vai atrás de mais um Mundial. Agora no Catar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.