Avião da tragédia era o único em ação da empresa aérea

Modelo que se acidentou era um Avro RJ85; considerado seguro, ele equipou esquadrão da família real britânica

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2016 | 06h00

O jato Avro RJ-85 da empresa aérea LaMia era o único de uma frota de quatro aviões do mesmo tipo que a companhia ainda mantinha em operação. As outras três aeronaves haviam sido declaradas como “em manutenção” às autoridades do setor aeronáutico da Bolívia.

O BAe 146/Avro RJ-85, é considerado um avião seguro, confortável e fácil de pilotar. Foram produzidas cerca de 390 unidades no Reino Unido de 1978 a 2002. O preço médio da série final era de US$ 13,7 milhões.

Com quatro turbinas Lycoming, uma fuselagem ampla e capacidade para atingir distâncias de 2.900 km, foi selecionado para equipar o 32.º Esquadrão Britânico, o Royal, da Real Força Aérea, que serve à rainha Elizabeth II e a sua família. Nessa versão, a disposição comercial de 70 lugares deu lugar a um luxuoso arranjo de 19 passageiros, banheiro com ducha e seis tripulantes.

Tudo muito diferente da arquitetura interna de alta densidade adotada pela LaMia, que podia converter a cabine do CP 2933 para até 112 passageiros. A transportadora estava sendo direcionada para o mercado dos fretamentos, de carga e de passageiros, a partir de duas bases – uma em Mérida, na Venezuela, e outra na Bolívia.

TECNOLOGIA

O avião foi retirado de linha pela BAe em reação ao mercado. Projetado para atender rotas de curtas distâncias, o modelo foi superado pela concorrência, pela companhia brasileira Embraer principalmente, que oferecia seus produtos com preços reduzidos, menor consumo de combustível, uma manutenção mais barata, maior autonomia e ainda tecnologia digital.

Ainda assim, 16 países ainda empregam os BAe 146 e Avro RJ-85 – além de cinco que incorporam variantes militares. O jato da LaMia saiu da linha de montagem em 1998 mas só foi concluído meses depois, em 1999. O comprador inicial, a americana Mesaba Air, vendeu a aeronave para a irlandesa City Jet, duas corporações de transporte. Antes de ir parar no hangar da empresa na Bolívia, em 2013, ficou por um tempo estacionado e à venda.

Uma deficiência do avião é o uso de sistemas mistos – muitos deles analógicos e elétricos, poucos eletrônicos. Em pane elétrica, acontece o comprometimento dos mecanismos hidráulicos com grave perda de controle.

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