Felipe Oliveira / EC Bahia
Felipe Oliveira / EC Bahia

Bahia luta contra preconceitos no futebol e traz torcida de volta

Clube promove diversas campanhas contra assédio, homofobia, racismo e todo tipo de intolerância

Luis Filipe Santos, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2019 | 04h30

No futebol não há mais lugar para assédio às mulheres, homofobia, racismo, e outros tipos de preconceito. Isso é óbvio para a diretoria do Bahia, mas nem tanto para muitos dos fãs do esporte e do próprio clube. Pensando nisso, o tricolor baiano lançou diversas campanhas em 2019 em prol da inclusão e dos direitos humanos, entre outras ações.

“Tudo começou com o grupo de ações afirmativas, criado em 2018, onde discutimos estes temas com ativistas. Só depois do tema discutido, ele vai para o marketing, que produz as ações. Nossa intenção é trazer toda a torcida de volta para o nosso lado, além de minorias que nunca puderam sentir que o estádio era ambiente para elas”, explica o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani.

Ele vê também as ações como uma forma de “educar” alguns torcedores, que não estão acostumados a discutir esses temas. “Sempre podemos ajudar a informar, trazer mais elementos para o debate. Até agora, tenho visto pouca gente desaprovando essas ações. Mas, claro, também preparados para agir se for necessário”, afirma o mandatário. O clube, no entanto, procura se manter afastado de questões politicamente partidárias, falando apenas das que considera humanitárias.

Um caso concreto de ação tomada pelo Bahia para tornar o ambiente do estádio mais inclusivo foi contra o assédio às mulheres. Depois da denúncia de uma torcedora de que ela e amigas foram constrangidas, o clube e uma agência de marketing digital criaram um site para facilitar que outros casos do tipo fossem relatados. Na página também há outras informações úteis para quem passou pela situação e estatísticas.

Segundo Bellintani, o clube foi procurado pela agência IWWA e firmou parceria. Outra ação tomada foi fortalecer a “Ronda Maria da Penha”, formada por policiais femininas que patrulham os estádios baianos para evitar casos de assédio.

Para produzir as campanhas, alguns profissionais foram contratados, como o diretor de arte Pis Santos. “Eu entrei como uma pessoa única que vai fazer esses papéis da produção, direção, edição dos vídeos. Até a trilha sonora desse último vídeo eu criei. É uma luta fazer um vídeo desses, mas há uma força muito maior, que é a necessidade de ter um vídeo desses e o Bahia divulgando essas causas”, diz o funcionário. Os roteiros são elaborados em sua maioria, por outro funcionário, Tiago César.

Nos vídeos, busca-se também não apenas fazer uma homenagem ao passado, mas falar das reivindicações atuais de quem está marginalizado na sociedade. Um exemplo é o “abril indígena”, no qual os atletas do tricolor baiano entraram em campo com os nomes de personagens históricos da luta dos índios no Brasil, mas também produziu um vídeo apoiando a demarcação de terras.

O Bahia também procurou transformar esses posicionamentos em lucro. O clube lançou uma série de camisetas, apoiando as lutas contra homofobia, racismo, machismo, xenofobia, que rapidamente se esgotaram. Tanto o diretor de arte quanto o presidente demonstram orgulho em ter defendido as causas e na boa resposta que têm obtido por parte da torcida.

Outras ações demonstram como o clube pretende ser mais democrático ao mesmo tempo em que traz a torcida para o seu lado. Por exemplo, o Bahia lançou uma camisa oficial de jogo por R$ 99,00, mais baixo que os de outras equipes, e lançou diversos planos de sócios-torcedores mais baratos. Com isso, conseguiu saltar de 15 mil sócios para 27 mil e tem conseguido bons públicos no Brasileirão – nos quatro jogos até agora, média de 24.148 torcedores, e não por acaso, quatro vitórias.

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