Bahrein prende jogadores de futebol após protestos

Três jogadores da seleção do Bahrein foram detidos e seis clubes desistiram de participar do campeonato nacional por conta dos protestos antigovernamentais, confirmou nesta segunda-feira a Associação de Futebol do Bahrein.

AE-AP, Agência Estado

25 de abril de 2011 | 11h29

As ações são parte de uma ofensiva generalizada contra os dissidentes que participam dos protestos antigovernamentais, que resultaram em jornalistas, blogueiros, médicos, advogados e ativistas detidos. Mais de 150 atletas, treinadores e árbitros também estão suspensos desde 5 de abril pelo suposto envolvimento em protestos contra o governo sunita do país, que começaram em 14 de fevereiro e já deixou 30 pessoas mortas.

O xeque Ali bin Khalifa Al Khalifa, vice-presidente da Associação de Futebol do Bahrein, reconheceu que os três jogadores foram detidos, mas não poderia fornecer mais informações. Ele disse que dois clubes na primeira divisão e quatro da segunda divisão se retiraram do campeonato nacional, que voltou a ser disputado há duas semanas devido a "pressão de grupos políticos xiitas".

Al Khalifa disse que os dois clubes de primeira divisão podem ser rebaixados e todos podem ser multados por sua recusa a jogar. "Alguns dos clubes durante os problemas se abstiveram de participar", disse Al Khalifa. "Nós não temos ninguém suspenso. Eles não são apenas participantes. Existe uma multa e punição, é claro".

No entanto, a Sociedade dos Jovens do Bahrein para os Direitos Humanos disse que os clubes de regiões de maioria xiita foram suspensos do campeonato por dois anos e multados em US$ 20 mil.

Mohammed al-Maskati, presidente do grupo, disse que os times tinham parado de jogar durante os protestos em parte porque sentiam que era muito perigoso e também como

um ato de protesto contra a morte de manifestantes.

Mas ele disse que quando os clubes anunciaram que estavam prontos para voltar a jogar, as autoridades decidiram suspendê-los e multá-los. "Eles não podem trabalhar normalmente quando os manifestantes são mortos nas suas aldeias", disse Al-Maskati.

"As autoridades querem dizer que você está apoiando os protestos e esta é a punição. Não é justo", disse. "Apenas porque você é um esportista não quer dizer que é errado ser político. Todos no mundo têm ideias sobre alguma coisa. Todos têm o direito de se envolver".

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