Baiano é suspenso por dois jogos

A emoção do lateral-direito Baiano, do Palmeiras, durante o julgamento de hoje à noite, sensibilizou os auditores da 4ª Comissão Disciplinar de Justiça Desportiva (STJD) e a sua condenação, que poderia ter chegado a 13 jogos de suspensão, foi fixada em apenas duas. Além dele, o Palmeiras também foi apenado com a perda de um mando de campo e multa de R$ 50 mil, por causa da invasão de campo de dois torcedores durante a derrota para o Corinthians, por 3 a 1, dia 10, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. O meia corintiano Hugo, também expulso no confronto foi suspenso por um jogo. "Estou contente porque houve justiça. As pessoas reconheceram que não tive a intenção de agredir a ninguém", festejou Baiano, após a sentença que demorou o tempo de uma partida de futebol, 90 minutos, para sair. O lateral ainda precisará ficar de fora um jogo, porque sua ausência no confronto de hoje, contra o Figueirense, para estar presente ao julgamento, não pode ser descontado da pena. Por isso, como já cumpriu a suspensão automática, agora, não atuará contra o Atlético-MG, domingo, em São Paulo. Mas, para chegar à sentença final, Baiano precisou abusar da sinceridade e chorar muito. Em seu depoimento, alegou que não empurrou Hugo, mas admitiu que errou ao chutar a bola em cima do atacante argentino Tevez, do Corinthians. "Depois que houve aquele episódio do Grafite, do São Paulo, que denunciou um argentino por racismo, minha vida virou um inferno. Jogava no Boca Juniors e pedi para sair, porque até meus companheiros passaram a me xingar", disse Baiano. "E, contra o Corinthians, a primeira palavra que o Tevez me falou foi que eu era um cagão. Tive um desequilíbrio e fiz um desabafo emocional com aquele ato." O início das declarações de voto dos cinco auditores fez com que Baiano não contesse as lágrimas. Até o quarto voto, o jogador estava condenado a uma suspensão por cinco jogos e chegou a ouvir sermões ásperos dos auditores como o proferido por Paulo César Salomão Filho: "um atleta profissional não pode perder a cabeça. E, se perder, deve ser punido". Mas, ao final, virou o placar a seu favor, por 3 votos contra dois. Além de Baiano, o Palmeiras ainda contabilizou uma multa de R$ 50 mil e a perda de um mando de campo. Em sua defesa, o advogado do clube Rafael Pestana argumentou que os dois invasores do gramado, trajados com a camisa do Alviverde, declararam na delegacia que entraram no campo para aparecerem na televisão. E chegou a chamá-los de "Cornelius Horan", o ex-padre irlandês que invadiu a maratona de Atenas e prejudicou o desempenho do atleta brasileiro, Vanderlei Cordeiro. Mas, as argumentações do Palmeiras não foram acatadas pelo tribunal e a suspensão terá de ser cumprida contra o Atlético-PR, pela 16ª rodada do Brasileiro. Além disso, o Corinthians também passou a ser passível de punição por causa deste episódio. A quarta comissão optou por reencaminhar o processo à procuradoria do STJD para que ela avalie se o clube do Parque São Jorge, por ser o mandante do confronto, também teve culpa no caso, já que "teria deixado de prevenir ou reprimir as invasões".

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