Baiano não vê racismo na Argentina

O lateral-direito Baiano, ex-Palmeiras, ficou assustado com a prisão do argentino Leandro Desábato, quarta-feira passada, acusado de ter feito insultos racistas ao jogador Grafite, do São Paulo. Há quatro meses em Buenos Aires, no Boca Juniors, ele garante que não há racismo na Argentina. Muito pelo contrário. Foi bem recebido pela torcida e se disse satisfeito nesta entrevista à Agência Estado."Quero ficar até quando o Boca me quiser", revelou o lateral brasileiro. Seu prestígio é tanto que o próprio Diego Maradona pediu sua camisa. É lógico que Baiano lhe deu.Agência Estado - Há racismo na Argentina?Baiano - Nunca percebi nada. Sou muito bem tratado aqui. Eles me chamam de ?Bombom?, um apelido que um jornalista me deu e pegou. Estou muito satisfeito aqui.AE - Como foi a repercussão do caso da prisão de Desábato em São Paulo, acusado de racismo?Baiano - Só soube pelos jornalistas, principalmente do Brasil. Nenhum jornalista argentino falou do caso comigo. Informalmente, ficaram assustados com o rigor do Brasil com a questão do racismo.AE - Você conhece o Desábato?Baiano - Não conheço pessoalmente. Ainda não enfrentamos o Quilmes. Só vi na televisão. É um bom jogador, um zagueiro típico argentino que entra com vigor nas jogadas.AE - O Desábato disse que é normal chamar os colegas de negro na Argentina. É verdade?Baiano - É. Aqui no Boca há uns oito caras que são chamados de negro, inclusive o médico do clube que é o doutor Negro. Um jogador como o (Sebá) Dominguez, que foi para o Corinthians, é chamado de Negro, mas não é nada racista. É de um jeito carinhoso. O Tevez era ?negro? aqui no Boca.AE - Você teme que o episódio do Desábato piore o clima para os brasileiros que jogam na Argentina, como é o seu caso?Baiano - Acho que isso não tem nada a ver. Sou muito bem tratado no Boca. Tive uma identificação muito grande com a torcida. Minha família se adaptou perfeitamente a Buenos Aires. Eu quero jogar bem para continuar no Boca até o fim de carreira, se eles quiserem.AE - Já deu para sentir a força do Boca Juniors?Baiano - Na pré-temporada, senti que o Boca é um time especial. Sempre atraímos muita gente e jogamos com casa cheia. E atuar no La Bombonera é uma sensação maravilhosa. Não dá para descrever.

Agencia Estado,

18 de abril de 2005 | 08h55

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