Hélvio Romero/Estadão
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Bairrismo e audiência

Não pega bem a interpretação das regras do jogo à maneira de cada um

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 04h00

As queixas do técnico Mano Menezes e do presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, devido ao gol de Bruno Henrique, que daria a vitória sobre o Internacional e foi anulado com a participação do árbitro de vídeo, encontraram eco em setores da imprensa de São Paulo. Como se fossem pertinentes as reclamações. Para quem não viu o lance, em disputa de bola com o zagueiro Klaus, do Internacional, o palmeirense Willian arrastou a bola com a mão direita e, na sequência, o volante mandou a pelota às redes.

O árbitro Braulio da Silva Machado, de Santa Catarina, anulou o gol no Beira-Rio após participação de Wilton Pereira Sampaio (Fifa), o homem do VAR, de Goiás. Está na regra que praticará a infração o jogador que: “recuperar a posse da bola depois de tocá-la na mão ou no braço para, em seguida, marcar um gol ou criar uma situação de gol”. No caso específico, o Palmeiras marcou um tento depois que a pelota tocou no braço de Willian. Faria sentido a reivindicação de falta cometida por Klaus no palmeirense, mas jamais a validação do gol.

Não cabe discussão sobre a correta anulação, por mais frustrante que possa ser. Mas é pertinente, claro, discutir a regra do futebol e a (in)justiça eventualmente embutida em tal determinação. O presidente do Palmeiras, em seu discurso repleto de equívocos, chegou a dizer que o VAR não tem atuado em jogos do Flamengo, citando a partida contra o Internacional no Maracanã. Mas na verdade o árbitro de vídeo também não entrou em ação na rodada anterior, quando um pênalti inexistente foi dado contra o líder do campeonato, a favor do Cruzeiro.

No primeiro turno, no mesmo Beira-Rio que recebeu a partida deste domingo, o Internacional vencia o Flamengo, que fez um gol (que seria de empate). Mas a bola bateu antes no cotovelo de Rhodolfo, então sobrou para Bruno Henrique, que finalizou. No rebote do goleiro Marcelo Lomba, o próprio zagueiro rolou para as redes. Como neste domingo, quando a bola foi tocada pela mão de Willian, o tento foi anulado. Ao final, vitória colorada por 2 a 1. Portanto, dois acertos da arbitragem com uso do VAR, ambos evitando gols ilegais contra o time de Porto Alegre. 

“A gente vem a público pedir uma arbitragem que apite igual para todos”, disse o presidente palmeirense. Nobre. Mas não pega bem a interpretação das regras do jogo à maneira de cada um. Insisto, evidentemente tais modificações recentemente colocadas em prática podem ser questionadas, mas, enquanto estiverem valendo, não faz sentido se queixar com esse tipo de argumento. Parece um pouco com a final do Campeonato Paulista de 2018, quando um pênalti contra o Corinthians foi marcado no estádio do Palmeiras e depois a arbitragem voltou atrás.

Na oportunidade, houve suspeita, e certeza para alguns, de interferência externa no que ainda era o futebol sem VAR. Controverso. Mas por linhas tortas, o árbitro acertou, pois não houve a infração inicialmente assinalada contra os corintianos, que ficaram com o bicampeonato paulista. As queixas do Palmeiras a partir daí expuseram uma situação controversa, afinal, qual era a reivindicação de seus dirigentes? Queriam bater uma penalidade máxima que não existiu? E agora, o que desejava técnico e presidente, a validação de um gol irregular?

Tudo isso é péssimo para o futebol, ainda mais quando parte da imprensa, ávida por audiência e movida por bairrismo, estimula a discussão sem informação. Dão eco a vozes de clubes em claro desserviço ao jornalismo e ao futebol. Que tal explicar o que diz a regra e a partir daí questionar quem se queixa sem razão? 

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