Baixa temperatura não desanima Tacuary

Assunção teve ontem um dia São Paulo neste verão: chuva, ventos, estiagem, chuvisco se alternaram e fizeram com que a temperatura despencasse dos 37 graus do domingo para 19 no início da tarde. A 20 quilômetros do centro, no entanto, a sensação era de mais frio. No descampado em que se encontra o estádio e a concentração do Tacuary, em Zeballos Cue, havia ar de outono. O cinza do céu se misturava com o verde do Jardim Botânico, vizinho do Estádio Roberto Bettega, mas nada tirou o entusiasmo do rival do Palmeiras. "O que conta é a alegria do desafio que temos", disse Oscar Paulin, disponível, descontraído, sem dissimulação, como manda a tradição de treinadores de times pequenos. "Nossos jogadores são jovens, estão conscientes da importância das partidas com o Palmeiras e isso serve de estímulo, sem que nada possa interferir de forma negativa."Paulin voltou a fazer média com o rival, encheu a bola dos jogadores de Estevam Soares - tudo conforme o figurino - e igualmente reservou parte do dia para o último treino secreto "e sem fotos, por favor". Meio sem graça, explicou que seguia orientação dos cartolas. "Sabe como é, dirigente não entra em campo", desculpou-se. "Não chutam bola e impõem certas condições", reforçou, com tom cético de quem, com 54 anos, já viveu muitas histórias e conhece as artimanhas do futebol. "Não há mais segredos hoje em dia. Todo mundo consegue saber o que os outros estão fazendo." Paulin nunca esqueceu de um episódio que lhe contaram a respeito de Louis Van Gaal. O metódico holandês dirigia o Barcelona, que se preparava para enfrentar a Fiorentina por uma das copas européias, nos anos 90. O jogo seria no Cam Nou e os italianos, sob o comando de Giovanni Trapattoni, chegaram para o reconhecimento quando o Barça ainda estava em campo. Trap quis dar meia-volta, mas seu colega insistiu que ficassem e acompanhassem o exercício até o fim. No dia seguinte, o Barcelona venceu por 3 a 0. "Uma ou outra coisa, a gente pode criar", admite. "Mas o jogo é que decide."Salto - A postura do Tacuary é de humildade. "Não temos a história de nosso adversário", diz o presidente-dono-faz-tudo Francisco Ocampo, que fez as honras da casa e recebeu o Palmeiras no aeroporto. "Já é um sonho estar na Libertadores e o que vier é lucro", prega. Discurso seguido à risca até por candidatos a estrela, como nos casos dos atacantes Román, que teve passagem pelo Olímpia, e por Ortellado, que já jogou no México. "A Libertadores pode ser um salto de qualidade na história do time", revela Román. "Basta acreditar e jogar com atenção, respeito e concentração", emenda Ortellado.A prática vai mostrar, logo mais, se o Tacuary tem realmente os pés no chão ou se aprendeu com seus primos mais tradicionais, Cerro Porteño e Olimpia, a dar o golpe na hora certa. O São Caetano, em 2002, conheceu o poder de fogo dos paraguaios ao perder o título para o Olimpia, no Pacaembu.

Agencia Estado,

02 de fevereiro de 2005 | 08h55

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