Baixo nível dos jogos será discutido entre clubes e Globo

Emissora se reúne, a partir desta quinta-feira, com times da Série A para buscar soluções para atrair atenção do público

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 07h00

A TV Globo inicia nesta quinta-feira uma série de reuniões com os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. A emissora é detentora dos direitos de transmissão dos principais campeonatos do País e quer estreitar o diálogo com os dirigentes.

Com a audiência em queda, a Globo quer discutir com os clubes propostas para atrair a atenção do público e melhorar o nível das partidas, alvo de muitas críticas principalmente depois da Copa do Mundo. Mas vai ouvir queixas sobre a divisão das cotas de transmissão, sobretudo das equipes de fora do eixo Rio-São Paulo.

“A distribuição desse dinheiro precisa ser rediscutida para que não aconteça no Brasil o mesmo que aconteceu na Espanha, onde somente Barcelona e Real Madrid têm chances de serem campeões e o restante dos clubes briga pelas posições intermediárias”, diz o presidente do Vitória, Carlos Falcão.

Para o dirigente, não adianta a Globo cobrar “investimento dos clubes na formação de jogadores”, como diz trecho do convite feito pelo emissora, se a divisão das cotas não for revista. “É a lei de mercado. Você não consegue competir com os outros clubes quando recebe apenas 10% do valor que eles recebem da televisão, como é o caso do Vitória”, critica Falcão.

Levantamento feito pela consultoria BDO mostra que a Globo distribuiu no ano passado aos 24 maiores clubes do Brasil mais de R$ 1 bilhão. A TV é a principal fonte de receita dos clubes e na última temporada representou 33% do faturamento das agremiações, superando bilheteria, patrocínio e venda de jogadores. O Flamengo, com R$ 110,9 milhões aparece no topo da lista, seguido do Corinthians com R$ 102,5 milhões.

Com o fim do Clube dos 13, em 2011, a negociação sobre os diretos de transmissão passou a ser feita individualmente e não mais em bloco. E os clubes de maior torcida viram as suas receitas subirem, aumentando as críticas dos pequenos.

Para Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, não basta os clubes discutirem, nesse momento, a revisão de contratos já assinados com a Globo. A ideia do dirigente é aproveitar o encontro com os diretores da emissora para propor alterações na legislação esportiva e no calendário. “A Globo é a maior financiadora do futebol no Brasil e temos de discutir com ela mudanças estruturais e não apenas paliativas.”

Uma das propostas da emissora é acabar com os pontos corridos no Brasileirão, em vigor desde 2003, e retomar o mata-mata. Seria uma maneira de, na visão de executivos da Globo, aumentar a audiência. Os clubes, no entanto, não se mostram dispostos a mudar o sistema da competição. “Fomos convidados pela Globo e vamos ouvir o que ela tem a dizer. Só depois é que podemos nos posicionar”, alega o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil.

Desde o fim da Copa do Mundo a Globo tem procurado se aproximar dos clubes e participou das discussões sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal e até a implantação de uma Norma de Conduta e Ética para impedir o assédio a jogadores menores de 16 anos.

Tudo o que sabemos sobre:
BrasileirãoFutebolMercado do Futebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.