"Baladeiros" agitam o futebol

A tentação para os jogadores de futebol nas noites brasileiras é grande. Assim como a preparação física e as exigências dentro de campo, as baladas mudaram com o passar dos tempos. Ao contrário das noitadas que consumiram grande parte dos salários de Garrincha, Paulo César Caju ou Marinho Chagas, é tão prazeroso como econômico bater cartão nas baladas.?Não cobramos de jogadores de futebol. Fazemos questão de dar toda a mordomia a eles. Até porque eles estão interessados é nas meninas. Umas doses de uísque ou cerveja, uma porção de canapés, e pronto. São raros os que gostam de champanhe. Raríssimos. É um investimento de retorno mais do que garantido?, resume um funcionário, que não quis se identificar, de uma casa noturna de São Paulo.Três funcionários e três freqüentadores amigos dos jogadores ajudaram na reportagem do ?JT?, explicando em detalhes a rotina noturna dos baladeiros.Nas casas noturnas, o esquema é basicamente o mesmo. Um amigo telefona ao dono ou gerente dizendo que o atleta quer visitar a casa. Por ?quer visitar? entende-se que ele pretende ir e ter todos os privilégios. Os jogadores chegam com uma pequena corte de amigos e bajuladores. A mordomia já começa na entrada. Após estacionar os carros importados de graça, entram por portas reservas e proibidas aos demais. Nas casas que têm, ficam em camarotes. Nas que não possuem, mesas especiais são reservadas às ?estrelas? da casa. Como estão sempre acompanhados de bajuladores, nem com segurança os jogadores precisam se preocupar. O ?filtro? é feito por seus orgulhosos e aproveitadores amigos.Todas as facilidades são oferecidas, até mesmo no assédio às mulheres. Os donos das casas noturnas sempre facilitam a entrada das mais bonitas nos camarotes. Caso os jogadores se interessem por alguma que esteja nas pistas, ele apenas pede para um dos amigos que o acompanham fazer contato e levar a menina para o camarote. Não há desgaste nem nos raríssimos foras. A ?dispensa? é dada ao amigo. Porém, a proporção chega a um não para 20 sim.O cuidado com a imagem dos jogadores é maior apenas em relação às bebidas. A mesa costuma estar repleta de guaraná, água e energéticos para disfarçar o álcool. De longe, o guaraná pode ser confundido com cerveja ou uísque. Incolor, vodcas se igualam à água. A cor amarela do energético esconde as vodcas de muitos.As casas noturnas de São Paulo e Rio usam os atletas como chamariz. É excelente comercialmente ganhar a fama de atrair Romário, Edmundo, Diego, Vágner Love, Diego Souza, Diego Tardelli... A relação é clara. As ?Maria Chuteiras? vão em bando às casas noturnas sonhando em se aproximar dos atletas.Não há jogadores suficientes para as moças. Há muita sobra de garotas de minissaias, barriguinhas de fora, camisetas realçando a prótese de silicone. Se não fosse por algumas raízes de cabelo traiçoeiras, a impressão é que todas saíram da Suécia, loiras de doer a vista. E como são em número grande, acabam sobrando várias. Aí surgem os freqüentadores atrás das ?migalhas? dos jogadores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.