Baltazar agora é o ?Empresário de Deus?

Baltazar não é mais o artilheiro que enchia de gols as redes adversárias nos anos 80 e apontava para o céu, enquanto comemorava. Mas reage com alegria ao novo apelido, mais adequado a sua rotina atual: ?Empresário de Deus?. "Puxa, foi muito importante ter sido chamado, quando jogava, de ?Artilheiro de Deus?. E agora, como naquela época, ser chamado de Empresário de Deus traz uma enorme responsabilidade", disse o ex-jogador, de Goiânia, onde vive.Baltazar garante que preserva na carreira de empresário de jogadores de futebol, que desenvolve há quatro anos, o estilo que o consagrou como jogador: "Não tenho nenhuma preocupação em efetuar negócios que gerem repercussão. Prefiro trabalhar no anonimato, porque o que importa mesmo é a confiança empregada pelos dirigentes, pelos jogadores e pelos próprios empresários que atuam no futebol."O agente Fifa Baltazar conta que o mais difícil em sua atividade atual é lidar com o caráter das pessoas envolvidas nos negócios: "A pior coisa que existe nessa atividade é quando as pessoas não cumprem as próprias palavras. Você planeja, estuda diversas alternativas, tem um trabalho imenso e muitas vezes o jogador ou o dirigente simplesmente deixam você para trás no meio do caminho."O fim do passe, na opinião de Baltazar, tem prós e contras: "Sem dúvida, o trabalho do empresário foi beneficiado, porque há muito mais jogadores livres. Mas falam por aí que o empresário domina o jogador. Não é verdade. O que o bom empresário faz é assessorar, criar possibilidades. Mas quem determina se o jogador vai ou fica é o próprio jogador; ele sim tem o domínio."Após passagens marcantes pelo futebol brasileiro - foi campeão nacional pelo Grêmio em 1981, em cima do São Paulo, com um golaço em pleno Morumbi, e pelo Flamengo em 1983 - e pela Europa - jogou na Espanha, em Portugal e na França -, Baltazar encerrou a carreira discretamente, com seus últimos gols pelo Kyoto Purple Sanga, do Japão, em 1996.Antes de entrar no ramo dos negócios com o futebol, Baltazar já exercia outra atividade depois que deixou os gramados: é o presidente dos Atletas de Cristo: "Não é uma profissão, mas sim uma missão. Sou evangélico e já faço parte dos Atletas de Cristo há muitos anos. Mas há cinco assumi a presidência da entidade. Damos palestras, sempre que podemos nos reunimos nos clubes ou nas casas dos jogadores para ensinar a palavra de Deus."Muitas vezes, Baltazar se vê obrigado a deixar a mulher e os dois filhos (de 9 e 7 anos) em Goiânia e viajar para o Nordeste ou Sudeste para socorrer alguém: "Sempre que é preciso, nos deslocamos aqui e ali para prestar ajuda a quem nos procura."

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2004 | 09h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.