"Bancada da bola" atrapalha sessão

Preocupados em se exibir no depoimento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os deputados da chamada "bancada da bola" mais atrapalharam do que ajudaram ao dirigente. O presidente da CPI, deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP), teve de intervir mais de uma vez para que os aliados de Teixeira não tumultuassem a sessão. Eles criaram caso para tudo, desde para reclamar porque o colega tinha uso da palavra "há mais de 12 minutos" ou para se queixar do "detalhismo" das perguntas do relator Silvio Torres (PSDB-SP).Teixeira conseguiu mais público no seu depoimento do que estrelas de primeira categoria do futebol, como Ronaldinho e Roberto Carlos. Mais ele fez por onde: além de chegar acompanhado por um staff capaz de fazer inveja a um sheik árabe, o dirigente também atraiu deputados ligados às federações e aquelas pessoas, funcionários ou não da Câmara, que ficam circulando pelos corredores procurando alguma atração para preencher o ócio. Como a CPI era a única atividade da Casa, numa véspera de feriado, era portanto natural a presença de tantos curiosos.O presidente da CBF também atraiu um de seus maiores críticos, o jornalista Juca Kfouri, que sorrateiramente deixava escapar um riso de deboche diante de uma ou outra resposta de Teixeira. "Faz 10 anos que espero por esta cena, não poderia perdê-la", resumiu o jornalista ao justificar sua presença.Diretores da CBF chamaram a atenção quando entraram na sala da comissão pelo tamanho da "bagagem" que carregavam. Eram quatro malas grandes e umas tantas pastas carregadas de documentos, segundo informou um assessor. Ricardo Teixeira entrou na sala meia hora depois deles, sorridente e aparentando tranqüilidade. Nem parecia que ficou acordado até tarde da noite se entendendo com deputados aliados e analisando as prováveis questões que viriam à tona no depoimento. Aparentemente ele errou, já que se limitou a responder com segurança o que deixou sem resposta no depoimento que prestou à CPI do Futebol, no Senado, em dezembro. No mais, deixou-se levar por contradições que terminaram por afetar sua aparência de homem tranqüilo e sorridente. Na metade do depoimento, Teixeira era outro, mostrando o cenho franzido e uma expressão de quem deixou de fazer o dever de casa.Suas primeiras palavras à CPI foram de puro otimismo. Ele leu um discurso conciliador, no qual fez um "mea culpa" por ter tentado obstruir a criação da comissão. Reconheceu, afinal, que a CPI da CBF/Nike "assim como a sua irmã do Senado, entrarão para a história do esporte brasileiro como uma das mais benéficas e positivas influências que o nosso futebol já pode receber em todos os tempos". Teixeira admitiu também que a sua visão sobre a criação da CPI estava "desfocada". "Este é um mea culpa público que faço aqui e agora, diante de todo os senhores". A seu favor, o deputado Aldo Rebelo lembrou que a CBF e seu dirigente, ao contrário da maioria das federações e dos presidentes de clubes, não entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as investigações. Ricardo Teixeira teve o sigilo bancário e fiscal quebrado tanto pela CPI da Câmara como a do Senado.O depoimento foi encarado como uma batalha pelos deputados que querem levar as investigações adiante. Eles se reuniram toda a manhã para examinar documentos e preparar as perguntas. Terminaram se saindo bem melhores do que em outras sessões, quando a repetição das indagações chegava a tornar a sessão cansativa.

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