Bancada da CBF já arma para melar CPI

O parecer final da CPI do Futebol, que o relator Geraldo Althoff (PFL-SC) apresentará no próximo dia 4, corre o risco de ser boicotado pelos senadores ligados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O senador Gilvan Borges (PMDB-AP), da bancada da CBF, informou que eles e seus colegas vão apresentar um "relatório alternativo" para concorrer com o de Althoff. A idéia dos parlamentares é a de pedir vistas do parecer oficial da CPI para, então, moldá-lo da forma que acharem melhor. Borges antecipou que serão "amenizadas" as denúncias contra o presidente da confederação, Ricardo Teixeira, e os clubes do Rio de Janeiro.Segundo ele, o relator e o presidente a comissão, senador Álvaro Dias (PDT-PR), foram "muito facciosos" na condução das investigações. "Houve um desrespeito muito grande pela CPI", defendeu o senador, que somente na semana passada compareceu à comissão, embora os trabalhos tenham começado em outubro do ano passado. Althoff e Álvaro Dias rebatem as acusações do colega. Segundo eles, os trabalhos foram conduzidos de forma coerente e lógica.A CPI ouviu nesta quinta-feira o último depoente, o contador da CBF, Oswaldo Ferreira, que não ajudou nas investigações. Ele não soube explicar porque o Campeonato Mundial de Clubes do ano passado, realizado em São Paulo e Rio de Janeiro e que deu um lucro de R$ 4,5 milhões, foi contabilizado como tendo dado um prejuízo de R$ 2 milhões. Para Álvaro Dias, a descoberta proporcionada pela quebra do sigilo fiscal e bancário da CBF, "revela que a contabilidade da entidade é uma farsa e tem por objetivo esconder recursos".Oswaldo Ferreira tampouco soube dizer porque a empresa SBTR, que presta serviço de auditoria à confederação emitiu faturas sem discriminar as despesas. Althoff disse que de 1998 a 2000, a empresa recebeu R$ 31 milhões pelos serviços prestados, mas que durante o período realizou apenas "lançamentos genéricos" em nome da CBF, sem valor fiscal. Os dois últimos depoimentos serão feitos pela Polícia Federal. Serão ouvidos os empresários Reinaldo Pita e Francisco Monteiro sobre pontos que ainda estão pendentes nas apurações.

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