Banco desmente Ricardo Teixeira

Os seis empréstimos de cerca de US$ 40 milhões que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez no período de outubro de 1998 a dezembro de 2000, abriram um novo e intrigado lance nas investigações da CPI da CBF/Nike. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que avalizou as operações, disse no depoimento que prestou ontem à comissão, que os empréstimos foram concedidos pelo Delta National Bank, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Mas representantes do banco desmentiram a informação. Segundo eles, o Delta não faz transações dessa natureza, já que se limita unicamente a intermediar o repasse do dinheiro."Não é, portando, o credor desse dinheiro", constatou o relator Silvio Torres (PSDB-SP). O lucro do banco viria de um porcentual cobrado sobre os juros do empréstimo, informou o deputado. "Os juros pagos pela CBF somam US$ 10 milhões só de juros", lembrou. O presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse que recebeu essas informações do advogado do banco Roberto Rosas. Ele também disse ao deputado que está proibido por lei de revelar o nome do "dono" desse dinheiro.Na proxima terça-feira, além de Rosas, a comissão vai votar a convocação do vice-presidente do Delta, Newton Bleffe, e do represente no Brasil, George Philip de Brito.BANCO CENTRAL - De acordo com Silvio Torrres, as transações chegaram a ser objeto de uma auditoria interna do Banco Central, que terminou sendo arquivada. O relator informou que há cerca de 15 dias obteve a promessa da diretora de Fiscalização do Banco Central, Teresa Grossi, de que as investigações serão reabertas. "São empréstimos de curto prazo pagos com juros muito acima do mercado", argumentou. Outro ponto questionável, no dizer de Torres, é que antes de chegar à CBF o dinheiro passou por sete bancos, no exterior e no Brasil. Para o deputado Doutor Rosinha (PT-PR), esse esquema é o mesmo utilizado para "lavar" dinheiro. "É uma forma de trazer ao País o dinheiro irregular que está lá fora", justificou. No seu entender, é igualmente suspeito o empréstimo de R$ 2,5 milhões feitos por Ricardo Teixeira para o Café e Restaurante El Turf, de sua propriedade. Segundo ele, além de não constar no Banco Central a saída de parcelas para pagar a dívida, a CPI obteve uma carta em que o Banco Real de Nova York avisa à agência do banco do Rio de Janeiro que o negócio já foi quitado.VASCO - O diretor-executivo do Bak of America, Luiz Cláudio Barbosa, disse hoje aos deputados da CPI da CBF Nike que os R$ 12,5 milhões aplicados pela Vasco Licenciamento no Liberal Bank de Nassau, nas Bahamas, serviriam para pagar o passe de jogadores. Ele não disse a quem pertenceria a conta, mas confirmou que esse dinheiro ficaria à disposição do Vasco da Gama.

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