Bandeirinha vira atração no Morumbi

Jovem, solteira, com 1,73m de altura, 62 quilos, exuberante e atraente. Com esse perfil, Ana Paula da Silva Oliveira bem que poderia concorrer ao posto de miss. Mas a jovem paulistana, criada em Sumaré, preferiu controlar as escapadas irregulares de 22 marmanjos. A assistente de arbitragem Ana Paula Oliveira, como prefere ser chamada, foi o grande destaque na vitória do São Paulo diante da Portuguesa Santista, por 5 a 0, ontem, no Morumbi. Roubando a cena dos marmanjos, ela teve uma atuação sublime e foi muito elogiada. "Fico contente, pois o erro é imperdoável na nossa profissão. Foi um jogo difícil, pois o time do São Paulo é muito rápido", disse a "bandeirinha". Sua paixão pela profissão começou aos 14 anos de idade, quando acompanhava o pai, árbitro amador, em alguns torneios na região de Hortolândia, cidade da região metropolitana de Campinas. A jovem Ana Paula auxiliava o pai como mesária, anotando as ocorrências e os cartões na súmula. "Quatro anos depois os jogadores pediam para que eu auxiliasse meu pai. Foi uma brincadeira que acabou dando certo", lembrou a Ana, que sonhava em se tornar uma jogadora de vôlei. De origem humilde, teve de trabalhar desde cedo para ajudar a família. Técnica em administração, ela pediu folga ao departamento de Recursos Humanos da empresa onde trabalha neste ano, para se dedicar mais à arbitragem. "Retorno em março, pois queria treinar muito forte este ano para poder fazer um bom trabalho no Campeonato Paulista", justifica. Hoje, aos 24 anos de idade, Ana Paula tem anseios de qualquer jovem de sua idade: escutar música, ir ao cinema, shows e eventos culturais. O assédio nos gramados é constante, tanto dos torcedores, que rasgam elogios e "homenagens" à sua mãe, até a jogadores, que a cortejam com cativantes olhares. "Às vezes comentam entre eles e ficam olhando. Mas eu finjo que não escuto e continuo meu trabalho. Teve até um jogador que desistiu de reclamar por um lance, após chegar mais perto ele disse: Ah!, deixa para lá professora", disse aos risos. Apesar de estar solteira no momento, ela avisa que está só "ficando" com uma pessoa, pois o ciúme atrapalha muito. "Já tive problemas com isso, pois trabalho em uma profissão onde os homens são maioria, então fica difícil controlar o ciúme", disse. Sobre a pressão dos torcedores, ela diz que não sente intimidada por ser mulher e destaca dois momentos de "apuros". "No derbinho (Ponte x Guarani), em Campinas, no Moisés Lucarelli, foi um jogo bem nervoso. Na final da Série B-1, no ano passado, entre Rio Claro e Guaratinguetá, os ânimos também ficaram bem alterados", relembrou. Ana Paula começou sua carreira como profissional em 1998, se filiando ao quadro de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF). Em 2001, fazia seu trabalho de estréia no Campeonato Paulista da Série A-1, na partida entre Palmeiras x Internacional de Limeira. No mesmo ano, estreou em torneios nacionais no Campeonato Brasileiro da Série C, na partida entre Santo André x Madureira. No Brasileirão estreou no jogo entre Corinthians x Guarani, em 2001, na memorável partida em que o jovem atacante Léo deu um chapéu no zagueiro Batata e acabou com o jogo. Ela já bandeirou jogos importantes da Série A, ao contrário da própria Sílvia de Oliveira que, embora seja membro da FIFA, jamais teve esta chance. A elas, por enquanto, só é permitido dirigir jogos da Série C.

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