Bangu aposta na administração feminina

Quem passa na rua por Rita de Cássia Trindade não imagina que ela trabalha com uma das maiores paixões dos brasileiros e pertence a uma classe vista com desconfiança e repugnância pela maioria dos torcedores: cartola de futebol. Desde novembro, essa mulher, "de pouco mais de 40 anos", é a presidente do Bangu, um tradicional clube do Rio, campeão estadual em 1933 e 1966, além de vice brasileiro em 1985.Há 13 anos, Rita chegou ao Bangu para trabalhar como auxiliar administrativa do departamento de futebol e não parou mais. Aos poucos, foi se destacando e ascendendo dentro do clube, mas sempre desempenhando tarefas relacionadas ao futebol."Chegar onde estou hoje foi uma conseqüência e acabei sendo empurrada, pelas circunstâncias, para o cargo", disse Rita, que entre 2002 e 2003 exercia o cargo de vice-presidente do clube. "Sempre fui disposta a resolver problemas, desde os mais simples, aos mais complexos e acho que foi isto que me impulsionou." Bacharel em Direito, Rita é casada e tem dois filhos. Ela não gosta de falar sobre a idade e nem da família, para "poupá-los do assédio", mas assegurou que tem o apoio de todos, principalmente porque um dos filhos trabalha filmando partidas de futebol e o outro é advogado. "Aqui em casa cada um vive a sua vida e ajuda o outro no que for possível", contou a presidente do Bangu.O fato de ser uma mulher, para Rita, mostra somente que o sexo feminino é mais uma força no combate à corrupção e na luta para salvar o esporte no Brasil. E ela não vacila na hora de atacou as leis em vigor no futebol.Rita destacou que as atuais leis "estão acabando com o futebol brasileiro", principalmente porque "privilegiam" os empresários, enquanto os clubes estão indo à falência. Frisou, inclusive, que as novas regras estão tirando a identidade do esporte."O futebol está como o carnaval, que ninguém mais conhece", argumentou Rita. "E se os clubes grandes estão em dificuldades, imagine os pequenos." Diante de um Bangu decadente, Rita terceirizou o futebol do clube, que hoje é comandado na categoria profissional pela Gortim, do empresário Reinaldo Pitta, enquanto a empresa Ability Sports & Management controla as divisões de base. A dirigente explicou que não há mistério no trabalho desenvolvido. Tudo o que é arrecadado é dividido em três partes iguais."Não gosto de falar em números, mas temos uma receita que dá para a gente sobreviver por 60 dias. Nos outros meses a gente vai levando", explicou Rita, que apostou no juventude do Bangu para a temporada de 2004. A dirigente afirmou que todos no clube estão motivados e disse não encontrar resistências ao seu trabalho. "Nós dos clubes pequenos pouco podemos opinar, já que a palavra final é dos times grandes. Sei até onde posso chegar, mas nem por isso deixo de contestar!"

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2004 | 16h57

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