Barcelona e PSG decidem vaga, mas o vencedor já é conhecido: o Catar

Homens de negócios dos Emirado Árabes patrocinam os dois clubes e confirmam a força do capital no futebol europeu: um estará na semi da Copa dos Campeões

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2013 | 08h00

PARIS - Barcelona e Paris Saint-Germain (PSG) fazem nesta quarta-feira o jogo mais esperado das quartas de final da Liga dos Campeões em 2013. Para enfrentar a esquadra francesa completa, a equipe catalã escondia o jogo até a noite de terça, sem revelar se seu principal ídolo, Lionel Messi, estará em campo. Em Paris, é grande a expectativa pelo jogo, que poderá marcar a história do clube e coroar o investidor catari Nasser Al-Khelaifi, um dos novos donos da bola na Europa.

O jogo é considerado por muitos o maior desafio da história do PSG: enfrentar um time dos sonhos, o Barcelona, no Camp Nou, a casa do adversário espanhol, após o confronto de ida, em Paris, que terminou empatado em 2 a 2. Para fazer face à situação adversa, o técnico Carlo Ancelotti terá quase todos os seus jogadores à disposição, com exceção do volante Blaise Matuidi, suspenso por ter sido expulso na última quarta-feira. Thiago Silva, com problemas em um dos joelhos, Alex, com dores em uma das coxas, e Thiago Motta, que reclama dos adutores, seguirão tratamento até antes do jogo, mas a tendência é que estejam à disposição.

Em Barcelona, a preocupação também está em recuperar quem está machucado. Os catalões mantinham o mistério sobre se Messi poderá participar do jogo. Jordi Roura, treinador adjunto do Barcelona, deu pistas de que o ídolo argentino poderá começar o jogo no banco de reservas, em razão das dores musculares que sentiu ainda no primeiro tempo do confronto de Paris. "Tomaremos uma decisão após os dois treinos de terça à noite e quarta pela manhã. Ao que parece, as sensações são boas. Mas vamos esperar", disse Roura, que nesta terça substituiu Tito Vilanova na entrevista coletiva. "Se ele não puder estar no jogo, é claro que será um problema. É o melhor jogador do mundo", reiterou.

Se dentro de campo as dúvidas permanecem, assim como as esperanças de vitória de ambos os lados, fora das quatro linhas o vencedor já é conhecido. É o Catar, país que investe nos dois clubes. Dono do PSG, o Qatar Sports Investments (QSI) já gastou cerca de € 250 milhões entre a tomada do controle acionário e os investimentos na aquisição de jogadores para a equipe de Paris desde junho de 2011. Só para a temporada de 2012-2013, o orçamento da equipe francesa deve chegar a € 300 milhões, segundo cálculos de Al-Khelaifi.

Não satisfeitos, franceses e cataris aumentarão o orçamento para o próximo ano, driblando o Fair Play financeiro da Uefa, ao receber o patrocínio da Qatar Tourism Authority. A empresa estatal substituirá a catari Emirates nas camisas e injetará nada menos que € 600 milhões em quatro anos nos cofres do clube.

A pedra no sapato do PSG é que, pelo menos por ora, o mesmo QSI e o governo catari também ajudam a fazer do Barcelona uma máquina de jogar futebol. Na temporada de 2012-2013, o clube espanhol administra € 470 milhões. O fundo catari também é o patrocinador principal da equipe catalã, clube ao qual paga € 30 milhões por ano em troca da exposição da Fundação Catar no espaço nobre da camiseta.

O curioso é que, não bastasse a ofensiva árabe sobre o futebol europeu, a transmissão do jogo na França também será realizada por uma empresa do Catar. É a BeIn Sports, canal criado neste ano pela emissora Al-Jazeera e que aos poucos já rouba dos tradicionais TFI e Canal + a hegemonia sobre as transmissões esportivas no país.

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