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Torcedores do Barcelona seguram bandeiras da Catalunha durante jogo do Campeonato Espanhol no Camp Nou Reuters

Barcelona fora da Liga? Eleição na Catalunha mexe com o futebol

Como a eleição de cunho separatista influencia o esporte espanhol 

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2015 | 10h00

As eleições legislativas que acontecem na Catalunha neste domingo ganharam caráter separatista e podem modificar o mapa do futebol na Espanha. Como? Apenas imagine uma Liga Espanhola sem o Barcelona. Sem o trio MSN contra o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema. Hoje isso parece impossível mas tudo pode acontecer em um cenário de independência da Catalunha. O assunto também ganhou os vestiários: jogadores como Piqué, do Barcelona, e treinadores como Pep Guardiola tomaram partido da independência da Catalunha. Entenda o caso e veja o que pode acontecer caso a Catalunha se torne, a médio prazo, um país independente.  

1. Barça fora da Liga

O presidente da Liga Espanhola, Javier Tebas, deixou bem claro qual é a posição da federação: sim, o Barcelona pode deixar de disputar o Campeonato Espanhol. “A lei é muito clara. Caso a Catalunha se torne independente o Barcelona deixará de jogar no campeonato espanhol. Os únicos clubes não espanhóis que podem competir são os clubes de Andorra”, afirmou o dirigente na segunda-feira em entrevista à televisão pública TVE. Tebas afirmou que o cenário só mudaria se houvesse um acordo. “Sem uma negociação bilateral, é impossível que os clubes espanhóis disputem a Liga (Espanhola). Seria uma Liga sem os catalães. E não só no futebol, na Liga ABC (Basquete) e Asobal (handebol)". Nesta sexta-feira, o dirigente voltou a comentar as consequências de uma ruptura: “Nós todos vamos perder com um campeonato sem os catalães.”

2. Outros clubes

O Barcelona não é o único time da Catalunha que deixaria de disputar a Liga. O Espanyol, por exemplo, seria outro clube excluído do Campeonato Espanhol. Já o Girona, Gimnástic e Llagostera, outros três clubes catalães, não poderiam jogar a Liga Adelante (Segunda Divisão). Possíveis sanções devem se estender a competições como a Copa do Rei.

3. Liga da Catalunha

O jornal de esportes Marca, que é de Madri, traçou uma hipotética liga catalã. Teria 20 clubes, com Barcelona e o Espanyol sendo os times mais representativos. A esses dois times se juntariam outros 18 que hoje disputam a Liga Adelante, a Segunda B e a Tercera. O jornal é crítico quanto à criação de uma liga que despertaria pouco interesse. “Todos sairiam prejudicados. Sobretudo, a televisão. Um jogo entre Girona e Sabadell, com todo o respeito, não terá nem a atenção nem o investimento de um clássico. Tampouco jogadores como Luis Suárez, Messi ou Caicedo jogariam na liga catalã”, escreveu o diário. Faz sentido: só com direitos de televisão o Barcelona recebe 130 milhões por ano (ou quase R$ 600 milhões). Quem está disposto a abrir mão de quantia como essa?

4. Liga dos Campeões

A UEFA evitou comentar qualquer possibilidade de o Barcelona deixar de disputar a Liga Espanhola e, consequentemente, a Liga dos Campeões. A entidade que comanda o futebol europeu afirmou que isso não passa de "especulação." De qualquer forma, caso a Catalunha vire um país independente é preciso que uma nova federação local se filie à UEFA.

5. Piqué no centro da polêmica

O zagueiro do Barcelona já demostrou diversas vezes que defende a independência da Catalunha. Já participou da Diada (Dia da Catalunha) pelas ruas de Barcelona, ainda que não pense em deixar de defender a seleção espanhola. Alguns torcedores da La Roja, porém, pensam diferente. Piqué já foi vaiado em um amistoso pela da seleção espanhola ao entrar em campo e substituir Sérgio Ramos, zagueiro do Real Madrid.

O bloco separatista da Catalunha, o ‘Juntos pelo Sim’, favorito a vencer as eleições legislativas deste domingo, entrou na polêmica também usou o zagueiro em um de seus vídeos que defendem o separatismo.

6. Pep Guardiola

O ex-treinador do Barcelona, Pep Guardiola, defende a independência da Catalunha e disse esta semana que "cedo ou tarde" acontecerá esse processo. O treinador, que é catalão, afirmou que teria defendido sua seleção se a Catalunha fosse um país independente quando ele ainda era jogador. "Se existisse uma seleção catalã teria jogado com eles, porque nasci em Santpedor. A seleção espanhola me convocou e fui encantado", disse. Pep apoia a candidatura do 'Juntos pelo Sim' e inclusive votou nesta quinta-feira em Munique. O site oficial do 'Juntos pelo Sim' publicou foto do treinador do Bayern de Munique votando e divulgou um vídeo.


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