Albert Gea/Reuters
Albert Gea/Reuters

Barcelona não será punido pela compra de Neymar, dizem especialistas

Carta assinada pelo presidente Luis Alvaro dava permissão ao pai do jogador para fazer a negociação

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2014 | 18h36

GENEBRA - A carta do Santos, assinada pelo presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro e datada de 8 de novembro de 2011, autorizando a empresa N&N a abrir negociação com qualquer clube para a saída de Neymar em 2014 livra o clube espanhol de ser punido pela Fifa por aliciamento do jogador – que tinha mais de dois anos de contrato pela frente e por isso só poderia negociar com outro clube com permissão do Santos. É o que disseram ao Estado advogados em Zurique consultados sobre o tema.

As regras da Fifa proíbem que um atleta seja "reservado" ou que agentes, clubes ou empresas façam pré-contratos com jogadores. Pelo artigo 18 do Estatuto do Jogador da Fifa, um contrato somente pode ser assinado com um jogador quando faltam seis meses para o fim de seu contrato.

Numa primeira avaliação, portanto, o Barcelona violou os tratados da Fifa e poderia ser severamente punido. Mas a carta assinada por Luis Alvaro tem dois pontos que derrubam essa avaliação. O primeiro é a citação ao artigo 18 do Estatuto do Jogador, deixando claro que o clube tem conhecimento do seu teor e mesmo assim autoriza o jogador a iniciar tratativas com quem quiser. O outro é a frase em que o Santos diz que o jogador pode "concretizar eventual transferência, desde que isso somente ocorra a partir de 2014". A transferência se concretizou um ano antes, mas com a concordância do Santos – que negociou com o Barcelona e definiu o valor de 17,1 milhões de euros (R$ 56,4 milhões) como pagamento pelos direitos econômicos do jogador.

A carta, portanto, mostra que o Santos deu sua autorização expressa para um acordo, e advogados ligados à Fifa admitem que o clube paulista teria sérias dificuldades para conseguir uma condenação do Barcelona.

 

REAL MADRID

O  Barcelona confessou que pagou há dois anos e meio um adiantamento de 10 milhões de euros (R$ 33 milhões) à empresa do pai de Neymar para ter a prioridade sobre o craque. Na prática, isso congelou o espaço de manobra do Santos e praticamente garantiu ainda em 2011 que Neymar seria do Barcelona. No clube paulista não são poucos os que hoje declaram que foi o contrato de 2011 que acabou pesando para que Neymar recusasse ofertas do Real Madrid que eram mais vantajosas para o Santos.

Durante a apresentação de Neymar ao Barcelona, em agosto do ano passado, a direção do clube respondeu a uma questão do Estado na coletiva de imprensa e se recusou a dizer quem havia recebido os 10 milhões de euros.

Em resposta a uma consulta feita pelo Santos em julho do ano passado, o Barcelona declarou que os 40 milhões de euros (R$ 132 milhões) de diferença entre o valor pago pelos direitos econômicos de Neymar e o custo total da operação declarado por sua diretoria se devia "a pagamentos por acordos anteriores com outras partes". Só semana passada o clube admitiu que o pagamento foi para a empresa N&N.

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